08 de julho de 2026
Saúde

Material deve ser confortável e firme

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Questionados sobre o material mais indicado para os travesseiros, os médicos são unânimes em afirmar que é uma questão de gosto pessoal. O importante é que o travesseiro tenha a altura adequada e que seja confortável sem ser demasiadamente macio.

“O travesseiro deve ser flexível de modo que se ajuste às curvas do corpo, mas que não ceda ao peso da cabeça. Ele tem que ser firme o suficiente para manter o alinhamento do pescoço”, descreve o ortopedista Aliomar Ferri Amaral. “Ele não pode ser muito fofo, senão a cabeça afunda e cai (sai do alinhamento)”, concorda Alberto Sala Franco.

Os mais vendidos no Brasil são os travesseiros de espuma e os de fibras sintéticas. A vantagem é que eles custam pouco (média de R$ 10,00 a R$ 15,00) e são encontrados em inúmeras lojas. A desvantagem é que algumas marcas oferecem um tempo de vida útil menor - eles deformam com facilidade.

Comerciantes de lojas especializadas em travesseiros e colchões, os empresários Walmir Iachel Reina e Márcio Cabanne apresentam uma diversidade de produtos que atendem a vários critérios ao mesmo tempo. Segundo eles, são produtos de diferentes texturas e formatos, mas desenvolvidos segundo parâmetros científicos para oferecer segurança, saúde e qualidade.

“O carro-chefe da loja tem sido o travesseiro de látex”, informa Reina. “Ele é indeformável. Você pode deixá-lo dobrado, quando solta ele volta à condição original. Só para se ter uma idéia, ele tem cinco anos de garantia. E o material não desenvolve ácaros ou fungos”, comenta.

Outro produto que tem sido anunciado no mercado especializado é o travesseiro de molas. O sistema consiste em pequenas molas com formato especial colocadas entre espumas. Segundo o fabricante, elas são independentes e permitem uma adaptação personalizada do travesseiro à anatomia da pessoa, fornecendo sustentação a cada ponto da cabeça e do pescoço.

As molas acomodam-se umas sobre as outras de uma maneira que o travesseiro pode ser comprimido sem qualquer risco ao usuário e com total ausência de ruído.

Travesseiros de pluma e pena de gansos também são muito procurados, segundo os comerciantes. Extremamente macios, eles são indicados para pessoas que gostam de abraçar e moldar o travesseiro na hora de dormir. “Vendemos muito desses para pessoas mais velhas, que estão habituadas a esse tipo de produto”, comenta Cabanne.

Outra opção são os travesseiros chamados anatômicos. De acordo com os fabricantes, o formato especial foi desenvolvido para ajustar-se mais facilmente às curvas do corpo. Ele tem um sulco na região central e as bordas elevadas. Uma das bordas é mais alta, para quem prefere dormir de lado. A outra é mais baixa, para quem dorme com a barriga para cima.

Também pode ser encontrado em materiais diferentes. Os mais conhecidos são feitos de uma espuma inteiriça e firme, que cede pouco ao peso da cabeça. “Também tem os de espuma visco-elástica, feitos com tecnologia da Nasa (agência espacial norte-americana). Ele cede conforme o peso de cada pessoa e torna-se estável quando atinge o ponto de equilíbrio, não deixa a cabeça afundar”, explica Reina.

Para quem sofre de refluxo gastro-esofágico (distúrbio em que ácidos digestivos escapam do estômago e refluem para o esôfago, causando dores e desconforto), há travesseiros especiais. Eles formam uma “rampa” com angulação suave que eleva toda a coluna sustentando-a no alinhamento devido.

“Muita gente coloca tijolos nos pés da cama para elevar a cabeceira, porque isso evita o refluxo. Outros usam vários travesseiros e dormem quase sentados. Com esse travesseiro, que tem indicação médica, eles conseguem alívio ao refluxo sem forçar a coluna e sem incomodar o cônjuge”, observa Reina.

Cada uma das empresas oferecem travesseiros de diferentes alturas e tamanhos. São produtos desenvolvidos para atender desde bebês e crianças até pessoas com problemas de saúde. Da mesma forma, eles têm preços muito variados, que vão de R$ 10,00 a R$ 200,00.

Alérgicos

Praticamente todos os travesseiros disponíveis no mercado são confeccionados com materiais antialergênicos. Porém, o acúmulo de descamações humanas é inevitável e eles podem se tornar um inimigo para a saúde. Para prevenir problemas, deve-se seguir um ritual de higiene.

O ortopedista Alberto Sala Franco sugere que travesseiros, colchões, cobertores sejam sempre expostos ao sol da manhã. “Ele tem raios ultravioleta que têm uma ação desinfetante”, comenta. Outra dica é manter os quartos sempre ventilados para renovar o ar e eliminar ao máximo os agentes alergênicos.

Trocar as roupas de cama com freqüência também é muito importante. Além disso, é interessante limpar tudo com um aspirador de pó regularmente. Para pessoas alérgicas, os materiais laváveis podem mostrar-se mais vantajosos, enquanto as penas podem facilitar a manifestação das crises.

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Uma questão de ambiente

Neurologista especializado em medicina do sono, o médico Alberto Luiz Moura dos Santos comenta que um dos problemas ligados à falta de qualidade do sono é o ambiente. “Muitas vezes, a causa da insônia está em problemas pertinentes ao local onde ela dorme. Quartos claros, próximos de avenidas barulhentas, colchões velhos, travesseiros de má qualidade - tudo isso pode influenciar o sono da pessoa”, salienta.

Segundo ele, um dos problemas mais comuns é a descaracterização do quarto de dormir. “A pessoa faz seu quarto também de sala de trabalho, de estudos, de jogos. O quarto deixa de ter aquela imagem de ser só um local de descanso. Isso pode desencadear, por questões psicológicas, uma dificuldade de se obter um sono correto”, destaca.

Outro problema comum é o uso de produtos inadequados: colchões de densidade incompatível com o peso ou que já passaram muito do prazo de validade e estão deformados. “Geralmente, nesses casos, a pessoa não tem problema de sono, mas acorda várias vezes com dores e torcicolo, prejudicando a qualidade do sono”, salienta.

Santos comenta também que pessoas que têm alguns distúrbios do sono tendem a usar o travesseiro de maneira inadequada, agravando o problema. “O indivíduo que tem apnéia do sono, por exemplo, costuma usar um travesseiro mais alto ou vários deles para deixar o corpo quase sentado na tentativa de respirar melhor. Só que o travesseiro não resolve e ele acaba adotando uma postura desconfortável”, alerta.

O médico orienta que as pessoas com dificuldades para dormir, com sono ruim, que sentem sono durante o dia ou que acordam com a sensação de que não descansaram devem procurar um especialista para avaliar onde está a alteração. “Muitas vezes é algo simples, um problema do ambiente, um colchão, luminosidade. Mas também pode haver uma doença séria, como a apnéia, que pode levar à morte”, ressalta.