09 de julho de 2026
Bairros

Erosões consomem mais de R$ 3 mi

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A atual administração municipal já gastou mais de R$ 3 milhões com obras para a contenção de erosões na cidade desde o início de 2002. A informação é da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), que é responsável pelos projetos que tentam estabilizar os desgastes em áreas verdes resultantes da má ocupação e da falta de drenagem em diversos bairros de Bauru.

Os gastos incluem somente os projetos que passaram por licitação para sua execução; ações realizadas pela Secretaria de Obras não estão incluídas. Segundo a titular da Seplan, Maria Helena Rigitano, a cidade tem atualmente 32 áreas com problemas de erosão, das quais a maioria já teria o desgaste estabilizado. No entanto, ainda há locais em que os enormes buracos se aproximam de residências, ruas e rodovias, como no Jardim da Grama, no Parque das Nações e no Mutirão Primavera.

De acordo com a secretária, as regiões da cidade que apresentam maiores problemas com erosões estão nas proximidades de empreendimentos e loteamentos criados antes da década de 80, quando a prefeitura não exigia implantação de sistema de galerias de águas pluviais. É o caso, por exemplo, da Vila Ipiranga, Jardim Jussara e dos bairros Pousada da Esperança 1 e 2.

“Pegamos todas as áreas onde houve empreendimentos sem a devida implantação de galerias, quando a legislação não exigia esta estrutura, e focamos os projetos para a contenção das erosões. Você corrige uma erosão desviando a água que causa o problema. Por isso, é necessário fazer a drenagem, implantar as galerias para conter. Se você só cobrir o buraco, a erosão volta, porque o que a ocasiona continuará agindo”, observa Maria Helena.

Entre os maiores projetos em execução ou já finalizados estão a implantação de galerias na Pousada da Esperança, com custo aproximado de R$ 250 mil, no Jardim Mendonça (R$ 250 mil), Jardim Solange (R$ 264 mil) e Ferradura Mirim (R$ 98 mil).

A secretária-interina da Seplan, Tânia Kamimura Maceri, aponta que a implantação de galerias na avenida Getúlio Vargas também foi uma obra de grande porte. “No ponto mais baixo, havia uma grande erosão que já estava invadindo a avenida. Hoje, só vemos a avenida duplicada mas o custo maior foi das obras para a drenagem”, diz. Os gastos na Getúlio Vargas chegam a R$ 470 mil.

“Na avenida Comendador José da Silva Martha havia uma grande erosão escondida, no lado de cima. Foi feita a galeria e, agora, só falta abrir a segunda pista. O custo da obra ali foi de R$ 82 mil”, comenta Maria Helena.

O total de gastos, que chega a R$ 3.011.569,00, não incluem obras como o canal instalado sob a avenida Nações Unidas Norte e a interligação com a avenida Jânio Quadros, que foram cotadas inicialmente em cerca de R$ 800 mil, mas executadas unicamente pela Secretaria de Obras. De acordo com o titular da pasta, Jorge Monteiro, cerca de 50 quilômetros de galerias foram implantados na cidade desde 2002.

Soluções

A secretária aponta a Vila Ipiranga como uma situação de erosão única em Bauru. Provocados pela ocupação da área sem galerias de águas pluviais, os desgastes do solo alcançam os limites do bairro em duas grandes depressões. “Fizemos as galerias, mas não vamos aterrar a erosão. Nossa idéia é fazer, em um dos braços da erosão, uma barragem de contenção, usar o local como lago de represamento. Do outro lado, nos limites do Núcleo Joaquim Guilherme e Jardim Jussara, a situação não deve se agravar mais, está relativamente estabilizada”, observa Maria Helena.

De acordo com Tânia, o aterramento das erosões não é mais uma prática indicada. Há alguns anos, a prefeitura incentivava o depósito de entulho de construção nas depressões, mas uma resolução federal proibiu esta ação. “Só autorizamos o depósito de entulho em situações excepcionais, que necessitam também da autorização da Secretaria de Meio Ambiente (Semma)”, diz.

Uma das soluções mais fáceis para o problema seria a alteração da topografia nas áreas de erosão. Maria Helena explica que é necessário drenar e canalizar a água que normalmente surge no fundo dos buracos, quando há erosão para realizar o retaludamento do local. “Você retira terra das bordas e deposita no fundo da erosão, deixando o local com uma depressão menor e mais ampla. O custo é menor, já que você tira a terra do mesmo lugar, e a área pode ser reutilizada para a formação de um bosque ou um parque”, aponta.

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Diferenças

A erosão do solo ocorre em virtude de um veio aberto na terra, onde a ação corrente da água acaba por carregar a camada superficial do solo - normalmente, a mais fértil - e abrir uma depressão que aumenta progressivamente, ao contrário de um buraco, que permanece com tamanho estável.

A erosão pode ocorrer suavemente, ao longo do tempo, e também ser provocada pelo vento. No entanto, o desgaste é acelerado com o aumento do volume de água, provocado principalmente pela impermeabilização das cidades e desmatamento das áreas verdes.

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