Na plena consciência de seu estilo direto de se posicionar, o sindicalista Roque Ferreira não poupa sua língua ferina e faz duras críticas à Corrente Articulação, que defende a aliança com o ex-deputado federal Tuga Angerami (PDT) para disputar a Prefeitura de Bauru.
“Eu só posso avaliar essa aliança como forma de atender aos interesses de alguns de chegar ao Palácio das Cerejeiras a qualquer preço e ter o poder pelo poder”, alfineta. “Como forma de se subordinar aos ditames e circulares emanados dos imperadores do planalto central”, completa.
Para o sindicalista, essa “política suicida” do partido impedirá a transformação qualitativa de Bauru. “Impedirá o acúmulo de forças que deveriam contribuir para a real democratização da sociedade”, arremata.
“Por não aceitar pacto anunciado com a ordem vigente, na qualidade de filiados e militantes do PT, é que, em conformidade com a decisão da executiva municipal, amplamente divulgada pelos meios de comunicação local, apresentamos à discussão e deliberação do partido a proposta de que nas eleições municipais deste ano tenhamos candidatura majoritária própria”, defende.
Além da candidatura própria, Ferreira prega uma política de alianças na qual o PT local tenha como tática a construção de uma frente de partidos “historicamente comprometidos” com os interesses dos trabalhadores.
“A aliança deve ocorrer só no plano majoritário (prefeito). A defesa de candidatura própria tem como base a necessidade de dizer e dialogar, generosa e firmemente com a população, que os problemas mais elementares enfrentados pela cidade não poderão ter solução enquanto o governo Lula se manter subordinado aos interesses dos banqueiros e das transnacionais, que querem impor a Alca até 2005 a mando de George W. Bush, presidente dos Estados Unidos”, discursa.
O petista já adiantou que se sua proposta não sair vencedora no próximo dia 3 não vai apoiar a candidatura a prefeito do ex-deputado Tuga Angerami.
“Tenho que manter minha coerência de princípios. Se não vingar a minha proposta de candidatura própria, vou me inscrever para disputar a Câmara Municipal. Não tenho nenhuma questão de natureza pessoal com o Tuga, pessoa a quem tenho muito apreço, mas essa é a política que eu defendo para desenvolver o PT”, argumenta.
O sindicalista lembra, ainda, que o PDT já e oposição nacional ao PT. “No mínimo, a gente tem que ter coerência. Quando a gente tira a arte de pensar da arte de fazer política, a gente faz política com objetivo muito pequenos”, finaliza.
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'A aliança está em pé'
O presidente da executiva municipal do PDT, vereador Faria Neto, reafirmou ontem que a aliança com o PT está confirmada. Segundo ele, é desejo de Tuga Angerami, dirigentes e filiados do partido formalizar o acordo com os petistas para a disputa à Prefeitura de Bauru.
“Mantemos a nossa palavra: queremos o PT conosco nesta eleição municipal”, reforça Faria. Ele diz que respeita a posição do sindicalista Roque Ferreira, que defende que o PT lance candidatura própria à prefeitura. “O Roque é meu amigo há anos. Tenho profundo respeito por ele por defender seus princípios. Mas espero, sinceramente, que ele nos apoie se a proposta de aliança do PT conosco sair vencedora no próximo dia 3”, flerta.
O pedetista garante que a escolha do vice é uma decisão que deverá ser anunciada pela cúpula do PT. “Não vamos nos intrometer na escolha. É o PT quem vai nos indicar quem deverá ser o vice do Tuga”, afirma, confiante de que o acordo vai mesmo ser selado de vez.
O parlamentar acredita que se o PT tivesse concretizado a aliança com Tuga na eleição passada, Nilson Costa não seria o prefeito da cidade hoje. “Os nove mil votos que a Estela Almagro teve seriam carreados para o Tuga”, afirma.
Nos bastidores petistas, o nome mais indicado para ocupar a vaga de vice na chapa de Tuga é o do vereador José Carlos Batata. Mas o petista poderá enfrentar problemas se o inquérito policial que apura viagens fantasmas na Câmara Municipal apontar irregularidades no uso de carro por parte do gabinete do parlamentar.