11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Maioria dos industriais está otimista

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Embora o aquecimento da economia brasileira pareça algo muito distante, uma pesquisa realizada pela diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru mostra que 81% dos industriais estão confiantes em relação ao rumo que seus negócios vão tomar em 2004. Para eles, os maiores riscos são o aumento da carga tributária e a pressão de custos dos fornecedores, mas o aquecimento do mercado doméstico é apontado como a maior oportunidade.

A Pesquisa de Expectativas Empresariais ouviu 40 empresários do setor industrial de Bauru e região no mês passado, e foi realizada pela primeira vez no Interior do Estado. De acordo com o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do Ciesp, Ricardo Marques Coube, em abril deve ser realizada outra pesquisa, ainda mais ampla.

De acordo com Coube, o resultado da pesquisa é “surpreendente” no que diz respeito ao otimismo dos industriais, que pode ser justificado pelo período em que as entrevistas foram feitas (fevereiro). “Esse é o tipo de informação que muda a cada instante. Se for feita uma pesquisa hoje, o resultado deve variar”, diz.

Ainda assim, Coube faz questão de ressaltar que esse “otimismo” tem como base de comparação o ano de 2003, que apresentou resultados pífios para o setor industrial. “No começo do ano passado o País estava parado, perplexo”, diz. E completa: “Estar otimista pensando no ano passado não quer dizer muita coisa”.

Para o economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), a expectativa otimista leva em conta, além da calmaria econômica de janeiro, uma esperança natural de retomada da queda de faturamento da indústria em 2003. “O sujeito que tem um faturamento médio de R$ 100 mil, que cai para R$ 80 mil, é evidente que ele espera recuperar parte disso”, afirma.

A pesquisa também aponta que 47,6% dos entrevistados acreditam que o volume de produção deverá ser maior neste ano do que em 2003, embora 23,8% acreditem em queda de margem de lucro e 14,3% esperem redução no nível de emprego. Dos riscos que o empresariado teme no decorrer do ano - aumento de impostos e custos maiores -, o economista Cafeo acredita que a pressão por parte dos fornecedores pode ser a situação mais grave, tendo em vista o perfil da indústria da região.

“A força do oligopólio, da concentração econômica, faz com que os grandes possam facilmente repassar pressões de custos aos seus preços. Nem sempre a pequena ou média empresa consegue fazer isso com seu consumidor final”, declara Cafeo. A pressão de custos foi apontada por 52,4% dos industriais como “forte”, enquanto 23,8% afirmaram que a pressão é “muito forte”.

Na opinião do economista, também não há mais espaço para aumentar impostos. “A carga tributária é sempre um risco, na medida em que o governo não tem criatividade”, diz. Cafeo observa que, desde 1994, a carga de impostos em relação ao Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) registrou aumento de quase dez pontos percentuais, chegando a 36,5% do total.

Menos impostos

A pressão para reduzir a carga tributária é identificada na pesquisa por 85,7% dos entrevistados como a principal ação da direção do Ciesp e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para auxiliar o empresariado. Na opinião de Coube, sem uma reforma tributária que realmente alivie a carga do setor produtivo, não é possível crescimento consistente em longo prazo.

“Nós estamos iludidos com informações (econômicas) obtidas através de exportações e de agrobusiness. São esses dois setores que estão impulsionando os indicadores econômicos, mas temos que entender que 90% dos empregos não dependem nem de agrobusiness nem de exportações”, afirma Coube, em referência às pequenas e médias empresas.

Outro pedido do setor industrial verificado na pesquisa (apontado por 76,2%) é o aumento da oferta de crédito e a redução de seu custo. Para Cafeo, essa é uma questão fundamental: “A recuperação da renda pode até acontecer em 2004. O crédito poderia antecipar a volta do consumidor ao mercado, só que o crédito continua caro”, diz.