26 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Exigir mudanças com os trabalhadores nas ruas


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A nota da executiva Nacional do PT publicada há alguns dias, reivindicando mudanças na política econômica do governo Lula, foi o estopim para criar uma tormenta. Ocorreram oscilações na bolsa, editoriais de jornais e de âncoras de telejornais acusando o “ samba do crioulo doido”, ministros se contradizendo, deputados do PT como Paulo Bernardo afirmando que "qualquer inflexão na política econômica seria apagar fogo com gasolina". Mas quem pode contestar que o PT guarde autonomia em relação ao governo? Quem pode pedir que o PT ignore o sentimento de sua militância e da maioria de seu eleitorado?

Só quem quer ignorar que a promessa de criação de 10 milhões de empregos feitas em 2002, não impediu de chegar a 10 milhões de desempregados em 2003. Ou ignorar que a reforma agrária não começou, apesar do palavrório do ministro Rosseto. A nota da Executiva do PT expressa uma verdade mesmo que pálida, tardia e vaga do que vai pela consciência e pelo coração dos petistas, e dos mais de 53 milhões que votaram no PT para que a vida começasse a mudar.

Sim, mudanças são necessárias. Precisamos dizê-las e nomeá-las. O superávit fiscal primário de 4,25% não pode continuar sendo o objetivo central do orçamento, submetido a uma seqüência de cortes que desviam, para pagar a dívida, 145 bilhões dos serviços públicos, da saúde, da educação, dos investimentos para recuperar a infraestrutura de transportes, em particular as ferrovias.

A política de câmbio não continua voltada para atração de capitais especulativos, ao custo de uma taxa de juros que esmaga a produção – fazendo crescer o desemprego e quebrando empresas- em benefício da especulação. Em suma, o país não pode continuar governado pela necessidade de pagamento da dívida externa, monitorada pêlos sucessivos acordos com o FMI. É uma questão de soberania nacional rejeitar os acordos com o FMI. Suplicar ao FMI critérios anti-cíclicos de superávit, seria trocar seis por meia dúzia.

Como também é uma questão de soberania rechaçar as declarações da embaixadora americana, Donna Hrinak, que “aconselha o governo brasileiro a começar calibrar cuidadosamente sua oposição às políticas americanas” (OESP,07/03). Ela, na verdade, quer impor ao Brasil, como Bush quer impor por todos os meios sua política a todos os países do mundo.

Quer impor a Alca até janeiro. Quer que o Brasil encabece a “força de paz” de ocupação do Haiti e que pressione Chávez na Venezuela a ceder. Hoje, de fato há um debate aberto entre os petistas sobre “as mudanças necessárias”. Este debate integra a reflexão nos Coletivos PT das Origens, que estão se formando por todo o país, inclusive em Bauru, e do qual faço parte integrante. Eles têm a vocação de reunir os petistas que querem que o PT cumpra a plataforma com a qual foi fundado. Que querem resgatar o conteúdo do voto dos mais de 53 milhões em 2002, que, portanto, estarão junto das lutas dos trabalhadores e da juventude para cobrar do governo nas ruas, aquilo pelo qual votaram.

Roque José Ferreira - RG- 9656049 SSP/SP - membro do diretório estadual do PT/SP