11 de julho de 2026
Política

Bastidores revelam estragos causados pela divulgação das novas gravações

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Enquanto a Polícia Civil e a Promotoria começam a apurar as denúncias lançadas por Parreira, a veiculação de trechos de conversas mantidas entre o vereador e o ex-secretário de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, ampliou os estragos políticos dentro do governo.

A crise ganhou proporções além do esperado em função de Duarte ter citado nomes de colegas no sentido de que o governo estaria sendo dominado por um grupo ligado ao PTB. O prefeito Nilson Costa assumiu o PTB após ter seu mandato cassado pela Câmara Municipal, em setembro do ano passado.

Apesar do desconforto já ter se instalado dentro da equipe de governo quando o primeiro trecho de gravação foi veiculado na sessão da última segunda-feira (onde Raul Duarte diz que enterra o prefeito se quiser falar o que sabe), a explosão ocorreu com o conhecimento das novas gravações, conforme o JC divulgou na edição de ontem.

O prefeito tentou contornar a crise realizando uma reunião com o secretariado na tarde de quarta-feira. Nilson Costa defendeu Duarte e encampou a tese deste de que as afirmações feitas contra o próprio governo, reveladas nas fitas, ocorreram por pressão.

O chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, emendou no mesmo sentido. Por fim, Raul reiterou que havia sido induzido por Parreira a fazer os comentários e pediu desculpas aos colegas.

Contudo, os citados nas gravações não tinham a dimensão do que Raul havia afirmado, já que a reunião só aconteceu na tarde de quarta-feira. Ao final da reunião, o assunto continuou pendente, mas com chances de ser contornado.

Mas a apresentação dos conteúdos com os nomes de vários ocupantes de cargos de primeiro escalão tratou de reacender as reações. Ainda na noite de quarta-feira, o governo apressou-se em convocar outra reunião.

O chefe do Executivo ainda tentou, mais uma vez, buscar a pacificação interna. Mas a contundência das críticas feitas por Raul falaram mais forte. Alguns secretários pediram a cabeça de Duarte. Mas este, neste momento, concedia entrevista ao JC, já depois das 23 horas da última quarta-feira, quando o Executivo havia fechado pela sua exoneração. Raul já havia se adiantado, dizendo que estava fora do governo.

Boa parte dos membros do Executivo já sabia, há pelo menos 20 dias, que Duarte tinha feito críticas pesadas contra membros do próprio governo. Contudo, diante das gravações consumadas por Parreira, a alternativa foi esperar pela bomba, que explodiu no Palácio das Cerejeiras nos últimos dias.

Raul Duarte esteve à frente da pasta de Finanças da prefeitura por cerca de 10 anos, sendo quatro na gestão do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB) e seis anos no atual mandato.

O clima no Executivo, ontem, era de marasmo. Ainda não deu tempo de recolher as cinzas. O grupo do prefeito teme que a nova crise tenha apenas começado. Raul saiu porque falou demais e justamente para um vereador de oposição.