Embora por motivos absolutamente distintos, o prefeito Nilson Costa (PTB) terá que se preocupar em procurar não só quem será o novo titular da pasta de Finanças, com a saída de Raul Gomes Duarte Neto. A legislação eleitoral vai fazer com que pelo menos dois ocupantes do primeiro escalão deixem o governo até 3 de abril próximo, quando os postulantes à disputa por vagas no Executivo e na Câmara Municipal terão de se desligar.
A lei eleitoral exige a desincompatibilização dos ocupantes de cargos comissionados até este prazo. Assim, o chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, confirmou, ontem à tarde, que espera apenas a definição de sua escolha como pré-candidato do PPS à prefeitura para deixar a função.
“A lei eleitoral exige essa definição. Como meu nome está sendo colocado como pré-candidato a prefeito, vou me afastar até o dia dois de abril para aguardar a convenção em junho deste ano”, conta Marsola.
Ele recorda que a definição do pré-candidato está sendo negociado entre os partidos que formam o bloco de apoio ao prefeito, sendo PPS, PTB, PC do B, PAN e, possivelmente, PMDB. “A composição dos partidos com quem estamos conversando para a aliança é que vai definir o nome. Meu nome foi colocado como pré-candidato pelo PPS e só poderia continuar oferecendo minha participação se deixar o cargo e isso terá que ocorrer”, lembra.
Em situação idêntica do ponto de vista eleitoral, mas distinta do ponto de vista de articulação política, a titular da Secretaria do Bem-Estar (Sebes), Darlene Martin Tendolo (PC do B), também confirma sua desincompatibilização. “Estamos conversando com o partido a respeito, mas está praticamente definido que meu nome vai integrar a lista dos que pretendem buscar uma vaga na Câmara neste ano. Como a lei exige se afastar até este prazo, vamos cumprir. A Darlene vai à busca da ampliação da participação da mulher no Legislativo”, cita, já em tom de pré-campanha.
A troca dos titulares das três vagas já em aberto vai mexer um pouco mais o revirado caldeirão político do governo. Maria Inês Sander assumiu interinamente a Finanças. Mas a vaga é cobiçada pelos petebistas. A tendência é que a Sebes continue sendo comandada por indicação do PC do B.
Já a chefia de Gabinete é visada por integrantes de diferentes tendências. O PPS, que ficou com a presidência da Companhia de Habitação Popular (Cohab), através de Rubens de Souza, mas perdeu a vaga nas Finanças, pode voltar à cena e pleitear o cargo.
As alterações em função da regra eleitoral também vai atingir cargos de segundo e terceiro escalões. Pelo menos seis comissionados de Administrações Regionais vão ter que sair para disputar as eleições. Em algumas secretarias, alguns diretores vão à luta. É o caso de Liliana Freitas (PPS), que vai disputar a eleição à Câmara e deixar a diretoria de Divisão de Educação Infantil.
No Gabinete, o petebista Rogério Medina, ocupante de cargo de assessoria, disse que deseja disputar novamente uma vaga na Câmara e outras indicações para as chapas partidárias estão em curso.
O secretário de Cultura, Sérgio Losnak, lembrado pelo PPS para a disputa à vereança, diz que ainda não se definiu. Já o titular da pasta de Esportes, José Roberto Franco (Sapé), parece desencantado com o poder. “Meu nome foi ventilado e cheguei até a ter vontade, mas não quero mais tentar a eleição à Câmara. Meu temperamento não combina com as situações que passam na cidade”, comenta.
A desistência de Sapé parece diretamente ligada ao prolongamento da crise de relacionamento entre oposição e situação na cidade.