07 de julho de 2026
Auto Mercado

Editorial


| Tempo de leitura: 2 min

Principal conquista do mercado automotivo nacional nos últimos meses, os carros bicombustíveis, aqueles capazes de rodar com álcool, gasolina ou ambos em qualquer proporção, provocaram um racha entre a General Motors e as demais montadoras representadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Enquanto a GM defende a redução de impostos para esses modelos como forma de incentivar o uso do álcool e a tecnologia nacional, a Anfavea é contra, pois a maioria das associadas ainda não tem o produto. Além disso, acha que benefícios devem ser extensivos a outros produtos.

Estranha posição essa da Anfavea, principalmente quando são analisados os últimos números de vendas do setor. Afinal de contas, não é de hoje que o mercado automotivo faz “das tripas, coração” para superar as 1,3 milhão de unidades vendidas anualmente, patamar em que se encontra estagnado há anos.

Diante de tal fato, não há outra reação a não ser o espanto total diante da manifestação contrária da Anfavea. Agindo assim, a associação parece desprezar o mais do que promissor mercado dos veículos flexíveis do País, que a cada dia é “invadido” por lançamentos do gênero entre as montadoras.

Só em janeiro e fevereiro foram vendidos 29.510 carros bicombustíveis em terras tupiniquins. Desta forma, estima-se que os brasileiros devam comprar, até dezembro, cerca de 250 mil carros bicombustíveis, o equivalente a cerca de 15% das vendas previstas para este ano, segundo projeções de fabricantes.

São índices significativos, mas que parecem não ser suficientes para convencer a Anfavea. O fato que a entidade precisa “acordar” é que reduzir os tributos dos carros flexíveis seria uma forma de estimular as vendas do mercado interno, ávido para sair da crise. A queda temporária do Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI), posta em prática no final de 2003, foi prova cabal disso.

O argumento de que nem todas as montadoras dispõem da tecnologia flex também não se sustenta. Isso porque, em vez de ser encarado como um empecilho ao incentivo tributário aos bicombustíveis, deveria ser tratado como um item positivo e fomentador de investimentos pelas fábricas. Ora, quem ainda não a domina certamente não pretenderá ficar para trás em um mercado tão concorrido como o nacional por longo tempo.

Por isso, apoiar a redução da carga tributária para os bicombustíveis é questão de coerência e, principalmente, respeito ao consumidor. Acorda Anfavea!