Othon Vieira explica que as pessoas que passam por uma situação próxima da morte tendem a ter dificuldades para fazer planos para o futuro. “Elas ficam tão próxima da morte que passa a achar que não vale a pena investir no futuro e é exatamente neste ponto que surgem os conflitos familiares, porque elas se isolam e deixam de sair de casa e de se relacionar até com os parentes.”
Em alguns casos, a vítima passa a receber uma superproteção. “No caso de um filho ser a pessoa ferida em um assalto, por exemplo. Os pais passam a superprotegê-lo, atrapalhando a sua vida. O mesmo ocorre em casos de seqüestros.”
Vieira explica que o mundo já era perigoso e ela vivia normalmente. “O mundo não mudou, o que mudou foi a mente daquela pessoa. A chance dela ser assaltada ou seqüestrada de novo é a mesma de duas semanas atrás, quando ela sofreu o trauma. A diferença é que a partir do fato, ela passa a ter certeza que isso vai se repetir e ela estará impotente diante da situação.”
A violência sofrida pela vítima fica gravada na mente da pessoa e mesmo durante o lazer ela assiste a cena. “É como se ela estivesse assistindo a um filme que nunca é desligado. O trauma fica fixado e ela não consegue se livrar da situação sozinha.”
A pessoa que sofre esse tipo de trauma fica alerta o tempo todo, como se estivesse em uma guerra. “Ela não consegue relaxar e pode tomar atitudes precipitadas”, comenta Cláudia Vieira.
Segundo ela, em um dos casos tratados, a mulher que foi violentada achou que estava sendo seguida por um outro veículo. Se precipitou, correu, passou em sinal fechado e bateu o carro. Era uma situação criada por ela mesma.”
É comum que a vítima procure um culpado para o fato, ressaltam. “É uma atitude tomada especialmente pela família de pessoas seqüestradas. Como o sequëstrador é uma pessoa que só tem voz, a família se culpa por estar morando em determinado bairro, por ter aquele carro etc.”
Vieira frisa que situações violentas, em sua grande maioria não são previsíveis. “São imprevisíveis. O importante é a pessoa saber que há como se livrar desse transtorno e voltar a viver normalmente.”