08 de julho de 2026
Polícia

Blitz da PM desbarata tráfico em Lins

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma mega-operação desenvolvida pela Polícia Militar (PM) de Lins (a 102 quilômetros de Bauru) conseguiu livrar os moradores de traficantes e prostitutas que agiam na área central da cidade. Três pessoas foram presas em flagrante por tráfico, duas foram indiciadas por porte de entorpecente e outras 23 foram qualificadas e poderão ser indiciadas, caso figurem como participantes da ‘rede’ de marginais. A ação foi filmada e o caso está sendo encaminhado ao Ministério Público. Cerca de 10 gramas de maconha e 48 pedras de crack foram apreendidas.

As duas fitas que estampam as atividades ilícitas foram apreendidas no flagrante e deverão ser usadas como provas no inquérito que foi instaurado na manhã de ontem.

A mega-operação da PM teve início às 23h de sexta-feira e se prolongou até ontem, às 14h, sob o comando do capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Companhia da PM. Ela foi motivada por inúmeras denúncias da população de que na rua Campos Salles havia prostituição, corrupção de menores e tráfico de entorpecentes.

As insistentes reclamações dos moradores da cidade mobilizaram a polícia que encontrava dificuldades em agir, explica o capitão. “Era difícil localizar a droga. Os envolvidos percebiam qualquer movimentação diferente e burlavam a fiscalização da polícia.”

Diante da dificuldade, o comando da Polícia Militar optou pelas filmagens noturnas, segundo o capitão. “Durante 15 dias, ficamos filmando a ação dos traficantes e prostitutas. Posteriormente, traçamos um esquema e no sábado colocamos em prática.”

Com as cenas gravadas, os 40 PMs envolvidos na operação partiram para a prática. Prenderam três em flagrante por tráfico, artigo 12 da Lei 6.368/76. “O ajudante geral W.C.F.O, 25 anos, C.S.O, 20 anos e M. F. M, 30 anos estão à disposição da Justiça. Eles são acusados de comercializar crack”, diz o capitão.

A faxineira Z.P.T , 30 anos e o ajudante geral R.S.L 35 anos, foram indiciados por porte de entorpecente e foram dispensados. Outras 23 pessoas foram detidas, qualificadas pela polícia e, dispensadas. Elas poderão ser convocadas para depor e, se configurar seu envolvimento, poderão ser indiciadas.

Na opinião do capitão, a mega-operação tem uma importância maior do que a imediata. “Nós acreditamos que, a partir dessa ação da polícia, o tráfico na cidade sofrerá uma baixa muito grande e servirá de fator inibidor. Os traficantes não sabem mais onde a polícia está, porque vamos utilizar tecnologia no combate à criminalidade”, prometeu.

Cenas chocantes

As filmagens revelam cenas chocantes, segundo o comandante da 1.ª Companhia, capitão Jorge Duarte Miguel. De acordo com ele, as prostitutas, usuárias de drogas, utilizavam um hotel de alta rotatividade na altura do número 200 da rua Campos Salles para fumar crack. “Elas pagavam R$ 5,00 para entrar no quarto e usar a droga.”

Elas comercializavam o corpo e o crack. “Os clientes entregavam o dinheiro e levavam a droga. Outros, pediam a droga por telefone e um mototaxista fazia a entrega em domicílio.”

Na rua, o crack ficava escondido entre os galhos de árvores, na sarjeta e nos lugares menos previsíveis. “Elas serviam de ‘avião’ para o traficante, distribuindo e incentivando o uso entre os seus clientes.”

O desespero de uma usuária, que teve a pedra de crack molhada, é outra cena que choca e mostra a situação do viciado.