Infelizmente, ao que parece o assunto “cinemas de Bauru” parece inesgotável e difícil resolução. Senão, vejamos: depois de muita, mas muita mesmo, reclamações com respeito ao estado lastimável em que se encontram as salas de cinema de nossa cidade, a Empresa Araújo dignou-se a trocar as carteiras e pintar as referidas salas. Mas o projetor continua o mesmo (completamente sucateado), com uma das máquinas com o foco mais nítido e as cores mais fortes do que a outra, com corte nos filmes quando existe necessidade de mudança de uma máquina para outra. O (s) operador (s) é péssimo, se é que a pessoa que manipula os projetores pode ser chamado de operador.
Como se isso não bastasse, aproveitando-se da “pseudoreforma” nas salas dos cinemas do shopping e da estréia da “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, o preço dos ingressos aumentou. E aumentou, mesmo.
Tudo bem, que acontecesse o aumento, desde que o maquinário também fosse trocado e tivéssemos uma projeção nítida, sem desfocamento de imagens e legendas abaixo da tela. Tudo bem. Tudo bem, com o aumento dos ingressos se tivéssemos operadores competentes. Tudo bem, principalmente, se tivéssemos uma programação decente, uma vez que em Bauru somente chegam filmes comerciais e de apelo fácil. Filmes, realmente, sérios, com raríssimas exceções (caso de “Could Mountain”, “Sobre meninos e lobos” e pouquíssimos outros) chegam às telas baurenses.
Por que em outras cidades menores do que Bauru (e inclusive servidas pela mesma Empresa Araújo) chegam filmes como “21 Gramas”, “Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas”, “Adeus Lênin”, “O Declínio do Império Americano”, “Dogville”, e tantos outros? Por que a referida empresa teima em continuar a menosprezar a capacidade intelectual do público bauruense? Com a palavra os programadores, os gerentes e os proprietários da Empresa Araújo, se eles se dignarem pela primeira vez a nos fornecerem uma explicação do motivo de Bauru não se encontrar em “suas praças prioritárias. (Christiano Lopes de Almeida)