08 de julho de 2026
RH & Tendências

Eles não se arrependem da escolha

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de ter trabalhado em vários escritórios, o advogado bauruense Michel de Souza Brandão, 28 anos, há dois anos resolveu trabalhar sozinho e optou por montar seu próprio escritório na casa onde mora com a família.

Ele aponta que trabalhar em casa tem vantagens como não ter que enfrentar o trânsito, ganhar minutos de sono, se alimentar corretamente. Isso sem falar na redução de despesas, mesmo tendo um estagiário.

“Você já está no local de trabalho, pode trabalhar mais tempo, mais tranqüilo. Mas em contrapartida tem cliente fora do horário comercial, à noite e até no final de semana. Você tem que colocar limites e acaba complicando.”

Brandão não se arrepende de ter transformado a casa em local de trabalho. A família aceitou numa boa. Mas agora o escritório já está pequeno e daqui a pouco vai ter que procurar um novo local.

Vai ter saudade? “Sem dúvida”, responde imediatamente o advogado.

Três em um

Foram motivos diferentes que levaram o casal Carlos, 38 anos, professor universitário e Ana, dentista, 35 anos, a montar espaços de trabalho dentro de casa.

“Como professor é impossível não levar trabalho para casa. A gente não consegue se desvincular do trabalho, não dá para ir embora e deixar tudo como um funcionário do comércio. Obrigatoriamente tem aula para preparar, provas para corrigir. Como pesquisador, preciso de espaço para livros, computador e sossego para escrever artigos”, conta Carlos, que há quatro anos têm um escritório dentro do lar.

Dessa forma, além de ter tudo à mão, ganha o tempo de locomoção e consegue um local de trabalho personalizado com seus porta-retratos, aparelho de som e os CDs e outros objetos para tornar o espaço ainda mais funcional.

Com o nascimento do primeiro filho, a dentista Ana também aderiu à idéia do marido e levou sua clínica para casa. Adaptou o espaço, mas precisou reduzir o número de pacientes, já que a intenção era estar mais próximo da família. Hoje, ela tem dois filhos, um de 3 anos e um bebê de 2 meses e está há quase dois anos atendendo no consultório dentro de casa.

“Estou muito satisfeita em ficar perto das crianças, posso dar um pouco mais de atenção. Trazer o consultório para cá também colaborou para que eu pudesse gerenciar melhor o lar.”

Quando os filhos crescerem, Ana pretende voltar a atender numa clínica fora de casa. Não só para voltar a ter um fluxo maior de trabalho, mas principalmente pelo quesito segurança, motivo pelo qual atualmente ela só atende pacientes antigos. “Afinal, não estou num espaço exclusivamente comercial e público, mas sim na minha casa.”