08 de julho de 2026
Saúde

Lesões esportivas - Prática de exercícios tem medida certa

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Praticar uma atividade física com regularidade é, comprovadamente, um dos pilares da boa saúde e da qualidade de vida. Mas descuidos na execução e excessos na intensidade, duração e carga dos exercícios podem facilitar a ocorrência de lesões. Todo esportista está sujeito a isso. Porém, uma boa orientação pode minimizar consideravelmente os riscos.

Professor de Educação Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Henrique Luiz Monteiro explica que as lesões induzidas por exercícios físicos podem ser classificadas, de maneira geral, em agudas e crônicas.

As lesões agudas são aquelas que resultam de um impacto momentâneo acidental, como torcer o tornozelo ao pisar num buraco ou sofrer uma fratura ao chocar-se com outro esportista numa disputa de bola, por exemplo. Já as lesões crônicas são aquelas que aparecem ao longo dos anos por um uso abusivo e/ou inadequado da estrutura física de maneira persistente.

Segundo Monteiro, as lesões traumáticas (agudas) mais comuns são as entorses e os estiramentos. As entorses atingem os ligamentos - tecido fibroso que conecta ossos e cartilagens, dando suporte e força às articulações. Ao sofrer um movimento abrupto, como uma passada em falso, esse ligamento pode ser “esticado” além de seus limites, o que danifica as fibras colágenas que o compõem.

Esse tipo de dano é classificado em três graduações, conforme a extensão do prejuízo. As entorses de primeiro grau são caracterizadas por um arrancamento mínimo dos ligamentos, resultando em dor e inchaço mínimos.

Nas entorses de segundo grau, há um arrancamento parcial dos ligamentos. Além de dor intensa e inchaço bem evidente, a pessoa apresenta uma certa instabilidade na articulação lesada (sensação de que o membro afetado está “mole”).

As entorses de terceiro grau são aquelas em que há um arrancamento completo do ligamento. A dor é muito forte e a pessoa perde completamente o controle sobre a articulação. Lesões desta gravidade exigem reconstrução cirúrgica.

Já os estiramentos são lesões que atingem os músculos. Semelhante ao que ocorre nas entorses, o dano decorre de um movimento abrupto que “estica” as fibras musculares além do limite causando rupturas no tecido muscular.

Estiramentos de primeiro grau produzem sinais e sintomas leves, uma dor localizada que aumenta quando o músculo é acionado. Nos de segundo grau, ocorre um arrancamento parcial do músculo, pode haver hemorragias (hematomas), com dor proporcionalmente maior. As lesões de terceiro grau causam uma perceptível ruptura muscular, que pode exigir correção cirúrgica.

“As pessoas que sofrem lesões mais graves (segundo e terceiro graus) precisam fazer um tratamento adequado, respeitando o tempo de recuperação do organismo e as orientações médicas, especialmente as de repouso e retorno progressivo ao esporte. Uma lesão mal tratada pode ressurgir no primeiro esforço, como aconteceu com o joelho do jogador Ronaldinho (Nazário)”, comenta Monteiro.

Nazário submeteu-se a uma primeira cirurgia de joelho no final da década de 90. Quatro meses depois, foi liberado para jogar, mas poucos minutos em campo foram suficientes para uma nova lesão no joelho. Desta vez, o tratamento seria mais difícil. O jogador só voltaria aos campos dois anos mais tarde. Devidamente recuperado, foi um dos principais destaques na Copa do Mundo de 2002.

Crônicas

De acordo com Monteiro, a principal causa das lesões crônicas é o chamado “overuse” ou “overtrainning” (uso excessivo, treinamento excessivo). “O indivíduo sofre uma microlesão, sente uma dorzinha, mas continua treinando. Não dá tempo para o organismo descansar e se recuperar. Então, a articulação vai ficando incompetente, enfraquecida, até sofrer uma lesão mais séria”, descreve.

É o que ocorre com os joelhos, por exemplo. A chamada síndrome patelo-femural é uma da lesões mais graves e freqüentes. A repetição de movimentos faz com que o organismo crie uma cartilagem deteriorada sobre a articulação. Além da dor, é comum o joelho “falsear” quando em movimento.

Outro exemplo são as tendinites. De tanto promover contrações musculares enérgicas (como nos exercícios de musculação com carga abusiva), o indivíduo acaba sobrecarregando seus tendões e desencadeando um processo inflamatório.

Também pode aparecer uma bursite. Regiões onde músculos e tendões passam diretamente sobre os ossos são protegidas por uma bolsa (bursa) preenchida de líquido que funciona como um amortecedor. A fricção excessiva nesses pontos pode inflamar a bursa, causando dor e limitação de movimentos.

“É comum também ocorrer uma fratura de estresse. Quando a pessoa sofre uma microlesão óssea, o organismo tem uma resposta fisiológica (natural) chamada remodelamento ósseo, em que o corpo tenta reforçar o osso estressado. A pessoa que sofre microlesões consecutivas sem dar tempo para esse remodelamento fica com os ossos enfraquecidos e pode haver uma fratura”, explica o educador físico.

Monteiro salienta que essas são apenas algumas das lesões esportivas mais recorrentes, num conjunto que engloba dezenas de outros danos. Ele lembra que elas são inerentes a qualquer atividade física - seja uma caminhada ou um treinamento intensivo para maratonas.

“Você não pode eliminar completamente esse risco, mas pode preveni-lo usando o bom senso na escolha e execução dos exercícios para reduzir os chamados fatores de risco”, salienta.