A frase: “Criança não mente” é falsa ou verdadeira? A afirmação pode ser difícil de responder, afinal, cada pessoa é de um jeito, com ações e comportamentos diferentes. Mas a psicóloga Paula Simão, 25 anos, mestre em psicologia infantil pela Unesp dá a resposta, com bastante clareza. “Criança é verdadeira por natureza. Ela aprende a mentir com o adulto.”
Às vésperas do Dia da Mentira, em primeiro de abril, refletir um pouco sobre o assunto é importante para pensar antes de falar qualquer mentira.
Quando a criança é muito pequena, é comum ela misturar fantasia com a realidade, o que pode parecer que ela “inventa” mentiras. O que é incorreto. Paula Simão explica: “A criança conta uma história impossível, cheia de fantasias, o que para ela é uma verdade. Nós chamamos isso de realidade psíquica, que vai desaparecendo com a idade”.
Com o tempo, observando o mundo e as pessoas, a criança começa ter noção do certo e errado, do pode e não pode, mas em muitos casos ocorrem verdadeiras confusões. “Tudo começa em casa. Se a criança é tratada com a verdade, em uma convivência familiar que valorize o diálogo sem mentiras, é bem provável que ela não seja mentirosa”, complementa.
Porém, nessa fase de descobertas, todas as atitudes dos adultos ganham um peso ainda maior. “A criança mente por medo do castigo”, reforça. Por isso, lembra a psicóloga, os pais também devem estar atentos para o que falam e como agem com seus filhos. “Há aqueles casos clássicos em que os pais sempre brigam com os filhos que não pode mentir e, de repente, acontece uma situação que a criança percebe a mentira do pai e causa uma situação de conflito.”
Um exemplo comum é quando alguém telefona e o adulto da casa pede para dizer que não está ou que está muito ocupado. E na realidade ele está apenas com preguiça de atender ao telefonema. Imediatamente, a criança percebe e questiona: “Mas isso é mentira, não é?” É!
Outro exemplo é quando um adulto encontra com o outro e, no diálogo, um pergunta se ele está bem com aquela roupa. Apesar de estar péssimo, para não magoar o colega, ele responde que está bom. Se o filho estiver junto, vai perceber que ali teve uma mentirinha.
A psicóloga Paula explica que podem existir mentiras diferentes. O primeiro caso é considerado a mentira delinqüente. “É pegar alguma coisa escondido, não falar a verdade para os pais, pegar algo de outra pessoa e dizer que não sabe ou não viu”, comenta.
Já o outro exemplo é de uma mentira social. “É quando evita-se de falar a verdade para não magoar a pessoa”, diz. Porém, uma coisa é certa, a mentira tem perna curta, a delinqüente e a social.