08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

REFLEXÕES DE UM PROFESSOR


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Se fizermos um paralelo acerca do poder aquisitivo, do papel social e do status que os profissionais da educação ostentavam há alguns anos, podemos comprovar as assombrosas diferenças entre o passado e presente. Atualmente, nossos finais de semana, nossa vida social e profissional, nem se comparam aos daqueles áureos anos. Estas transformações ocorreram em conseqüência da depreciação dos professores, e do arrocho salarial dos últimos anos. O professor não é mais tratado com o devido respeito; como um profissional digno de admiração; como um dos responsáveis pela construção de uma sociedade mais justa e fraterna e pela formação de cidadãos críticos e atuantes. O professor tornou-se o único responsável pelo processo educacional, sendo que a educação e formação do cidadão são encargos que competem à família, escola e à sociedade.

Não é preciso muito esforço para se verificar o que todos esses percalços têm acarretado ao professor, basta, por exemplo, citar o grande número de docentes que têm se afastado das escolas por motivo de insatisfação, baixos salários e doenças psicossomáticas. É importante salientar que hoje em dia os professores sequer podem adoecer. Se tirarem licença médica, além dos gastos com medicamentos, têm seu salário reduzido pois perdem todas as gratificações referentes aos dias paralisados, inclusive no “famigerado” bônus. Outro fato estranho é que não há pagamento de ticket-alimentação referente ao mês de janeiro, deve ser porque estamos em férias e não precisamos ir ao supermercado todos os meses!

Não podemos deixar de comentar também o crescente comportamento indisciplinado das crianças e adolescentes que estudam nas escolas públicas. Acredito que os maiores responsáveis são, em sua maioria, seus próprios familiares, haja vista que quando há reuniões de pais por exemplo, os poucos que comparecem chegam à escola apressados, impacientes, e não sabem sequer dizer a série em que seus filhos estudam, muito menos os nomes de alguns professores. Muitos pais são omissos quando solicitamos sua colaboração. Além disso, as leis e as normas da atual política educacional têm “mimoseado” os adolescentes com inúmeros direitos e pouquíssimos deveres. Isto tem contribuído para que alguns alunos agridam verbalmente seus professores, sem pestanejar e, não em raros caos, chegam a agressão física, como já foi noticiado neste jornal. Todos os docentes têm conhecimento dos inúmeros cursos e das melhorias oferecidas pelo governo estadual, porém, de nada adianta progredir em alguns aspectos e retroceder em outros.

O que nos conforta é que somos uma classe persistente, cheia de fé em Deus e no ser humano e esperançosos de que dias melhores virão! (Profa. Sônia Maria Rodrigues - RG 17.804.605-X)