09 de julho de 2026
Geral

Lixeira da Unesp facilita coleta seletiva

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Os moradores de um prédio residencial no Centro de Bauru estão testando uma lixeira que facilita a separação do lixo doméstico e ainda devem lucrar com a atitude ecologicamente correta. A iniciativa é parte de um projeto do curso de pós-graduação de engenharia de produção da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que pretende analisar a produção de lixo residencial e ainda conscientizar a população da importância da destinação correta e da reciclagem de materiais.

Cada apartamento do residencial recebeu uma lixeira de aço projetada especialmente para fins de reciclagem. A estrutura pode receber até seis sacolinhas de para que os moradores depositem o lixo separadamente, de acordo com as etiquetas indicativas: plástico, vidro, metal, papel, lixo orgânico e materiais de saúde (papel higiênico, ataduras, absorventes íntimos).

As alunas do curso de engenharia de produção Bruna Rosa e Monise Maroço, que participam do projeto, explicam que os moradores e funcionários dos apartamentos devem depositar os saquinhos em latões específicos, distribuídos em todos os andares do edifício. Posteriormente, o lixo é recolhido e pesado pelos estudantes.

“Fomos chamados para a implantação do projeto. Visitamos todos os apartamentos para conversar com os moradores, com as colaboradoras e faxineiras e explicar como fazer a separação, porque muitas pessoas não separavam nem o lixo orgânico do reciclável”, comenta Monise.

Segundo a estudante Priscila Forini, que também participa da atividade, apenas um morador não quis aderir ao projeto. “Ele alegou que não tem paciência e capacidade para separar o lixo em seis saquinhos diferentes. Mas não tem que separar, é só ir jogando no local certo conforme vai usando. E como usa saquinhos de supermercado, a pessoa pode tirar o lixo todos os dias”, argumenta.

Simples e útil

De acordo com a síndica do condomínio, Elizabeth Tripoli Pagani, a iniciativa foi excelente, pois cada um tem seu dever para com a natureza e precisa fazer sua parte. “A separação do lixo é simples, em uma semana, todo mundo está habituado. E não precisa, por exemplo, colocar o lixo do banheiro na estrutura, é só colocar direto nos latões depois. Todos receberam orientações e esperamos que o projeto seja um sucesso”, comemora.

O estudante Felipe da Gama, que também participa da atividade, ressalta que o lixo reciclável coletado será vendido para uma empresa de reciclagem e o dinheiro arrecadado será revertido para o próprio condomínio. “O projeto quer diminuir o volume de lixo que vai para o aterro sanitário. Com a conscientização, as pessoas percebem a importância de separar o lixo e reciclar, e a venda dos materiais é um incentivo”, completa.

Segundo o professor Jair Wagner de Sousa Manfrinato, que coordena o projeto, uma administradora de condomínios já mostrou interesse em implantar o sistema em mais cinco prédios, a partir do dia 15. “A idéia do projeto é perfeita para condomínios, porque o lixo já sai do apartamento devidamente separado e temos em Bauru várias empresas que trabalham com reciclagem e podem se envolver no projeto”, observa o professor.

As lixeiras especiais foram projetadas pela empresa de Manfrinato e devem ser disponibilizadas para venda no comércio em breve. “Para o primeiro prédio, nós fornecemos o equipamento gratuitamente para os apartamentos. Devemos colocá-las no mercado, mas ainda assim, elas terão custo muito barato, de aproximadamente R$ 10,00”, diz.

• Serviço

Informações sobre o projeto de coleta seletiva da Unesp pelo telefone (14) 3013-6122. Informações sobre a coleta seletiva municipal e os horários de passagem dos caminhões pelo telefone (14) 3235-1129.

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Reciclagem pode gerar renda para moradores

O professor do Departamento de Engenharia de Produção da Unesp Jair Wagner de Sousa Manfrinato, que coordena o projeto, diz que, à medida em que a idéia se expandir na cidade e outros condomínios, escolas e até residências aderirem, será possível fazer uma análise econômica do lixo.

“A literatura diz que cada pessoa gera um quilo de lixo por dia. Em Bauru, são mais de 200 toneladas por dia. Então, imagine o que isso pode gerar de renda para os envolvidos na reciclagem. Isso sem falar na conscientização, porque o lixo será um sério problema para as cidades no futuro. Corremos o risco, inclusive, de futuramente ter que pagar pela coleta de lixo, porque os aterros sanitários vão acabar”, alerta Manfrinato.

Em Bauru, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) já mantém um sistema de coleta seletiva de lixo, que cobre aproximadamente 80% da cidade. Os caminhões passam em cada bairro em horários determinados e atendem ainda empresas e instituições. O material reciclado é enviado para a Central de Triagem.