08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Elas descobriram a pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

A participação da área feminina na pesca tem sido cada vez mais expressiva. Elas descobriram a pesca como sinônimo de terapia e uma forma de estar em constante contato com a natureza. Hoje, elas acompanham maridos às viagens ao Pantanal, têm sua própria tralha e sabem a diferença entre as espécies.

Apesar de não estarem muito preocupadas com o maior exemplar, descobrem com facilidade o prazer dos esportivos e não dispensam um batom, mesmo na pesca embarcada.

A mulher descobriu as delícias de estar em contato com a natureza, de perceber o rio, o lago, o mar, e o prazer que aqueles momentos de reflexão e busca constante do peixe podem proporcionar.

A empresária Maria Elisabethe Artioli Sandri é pescadora desde criança e proprietária, ao lado do marido e dos filhos, do pesqueiro Pexe Loko. “Eu nasci apaixonada por pesca. Principalmente a pesca embarcada, é uma aventura sem igual, que começa na preparação da tralha”, recorda.

Para ela, cada detalhe deve ser tratado com bastante cuidado para não esquecer nada. “Desde os lanchinhos, protetores solares, chapéu, luvas e, é claro, a tralha de pesca!”

Apesar de pescar desde a infância, Elisabethe descobriu há seis anos, quando abriu o pesqueiro, o prazer da pesca esportiva. “Aprendi que a gente tem emoções difentes. A primeira, quando fisga o peixe, o coração bate mais rápido. Depois a hora de soltar o peixe, é uma nova emoção!”, comenta entusiasmada.

Elisabethe também frisa que a pessoa fica “viciado” por pescaria. “Quer saber as iscas novas que surgiram, acompanhar onde está dando peixe. As novidades mesmo. Agora, quero aprender a pescar de fly”, diz.

Orgulhosa de ser pescadora, para ela, a pescaria é a melhor terapia que existe. “Fico ali, observando a água passando... levando os problemas... E se o peixe não vier, é porque o maior escapou!”, finaliza Elisabethe, com frase de pescador.

"E o nojo?"

A pescadora Terezinha Balsi, 58 anos, conta que no começo sua maior dificuldade era com a isca. “Não gostava de pegar na minhoca, eu cortava tudo com a tesoura”, lembra, sorrindo. Hoje, ela nem se preocupa. “A gente fica no barco, corta com a mão mesmo, coloca no anzol, depois pega no peixe, você acostuma.” Às vezes até come um “lanchinho”, o que não causa danos maiores.

Apesar dessa pescadora adorar pescar em quantidade, pois costuma pegar um peixe atrás do outro, quando vai a pesqueiros, ela não gosta de peixe. “Eu não faço peixe. Por isso, gosto de pescar e soltar”, comenta.

Agora, quando a pescaria é de corvina, no rio, ela só libera as pequenas. “Meus vizinhos já estão acostumados e ficam esperando eu chegar com os peixes”, diz Terezinha, que pesca desde os 18 anos. “Aonde tiver água, eu tô pescando!”

Ela conta que mesmo na praia não consegue resistir. “Vou para a praia e já procuro um lugar para pescar. Aí ninguém consegue me tirar da água.” Terezinha teve um período sem pescarias em sua vida, quando criou e educou seus seis filhos. Hoje, eles não são mais motivos para deixar os peixes de lado.

“Agora eles já estão grandes, os caçulas (gêmeos) têm 22 anos. Então eu faço assim: coloco um bilhetinho na geladeira ‘A quem interessar, fui pescar!’”, lembra entre risos a pescadora, que pesca duas vezes por semana. “Eu já cuidei dos filhos, não vou cuidar de netos, né?”

Batom e guarda-sol

A pescadora Criseide de Lima Sanctis, 62 anos, aproveita o marido Romeu para a pescaria. “Ele nem liga muito para a pesca, mas me ajuda, coloca o guarda-sol, me faz companhia, leva o peixe para limpar, é um ótimo assessor”, diz. Apaixonada pelas tilápias, Criseide visita o Pexe Loko todos os sábados e domingos. “Só não venho se tenho compromisso importante!” Agora, a tralha é responsabilidade dela. “Eu chego, monto minhas varinhas, umas quatro, e faço tudo. Tiro o peixe do anzol, guardo e continuo minha pescaria de tilápia, que meus netos adoram comer”, explica, manuseando os alicates para segurar o peixe e tirar o anzol.

Mestre cuca da pesca, ela prepara seus troféus em forma de sashimi, filés à parmeggiana, frito, ou o que a criatividade permitir.

Ela ressalta a qualidade do peixe fresco. “Às vezes compro congelado, mas não é a mesma coisa. O sabor de um peixe fresquinho é muito diferente. É muito mais gostoso!”

A curiosidade é um dos quesitos para uma boa pescaria, de acordo com Criseide. “Eu converso com outros pescadores, vejo as iscas, aprendo. Faços os nós, aliás, até para a varinha do meu marido eu quem faço os nozinhos. Fico atenta a cada momento de aprendizado. Não saio da beira do lago nem para nada. Até parei de almoçar”, conta a pescadora que chega às 8h e passa o dia pescando.

“Para mim, a pesca é o melhor calmante. Falo para as outras mulheres, mas elas reclamam do cheiro do peixe, mas peixe fresco não tem cheiro.”