25 de maio de 2026
Articulistas

Sem tensões e sem pressões


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Durante seus longos anos não teve o tradicional Palácio do Catete, Rio de Janeiro, muitos governos com tendências para quebrar ao meio a harmonia de suas equipes executivas. Apenas alguns de seus ministros e auxiliares o tentaram realmente, sem, contudo, alcançarem êxito em suas fogosas intenções. Foram, por isso, tentativas sem muitas conseqüências reais, não chegando a arrastar chefes palacianos a maiores crises morais, administrativas e políticas. Certamente, puderam os executivos prosseguir, então, em seus trabalhos rotineiros, só retraindo a caminhada quando Vargas intencionou assumir o comando da churrasqueira e, realmente, arrastando brasas para suas sardinhas, com elas logrou matar a sua fome o quanto desejou ou quando a Revolução Constitucionalista de 32 entendeu de apagar a obstinada atração estomacal do ditador.

Lembrando-se agora do velho Catete, quer-se perguntar também se o seu reconhecido pacifismo teria condições de transferir hoje tão benéfico espírito patriótico para o moderníssimo Planalto, Brasília, livrando o País da crise política que vários assessores presidenciais estão empenhados em implantar-lhe, a todo transe, com graves repercussões nacionais. Não há negar que tormentos dessa natureza merecem condenação total por ferir seriamente não só a paz social como os mais sadios preceitos constitucionais, porquanto desmantelaria o organismo da grande nação. Surge, então, como absolutamente patriótica, a atitude de ministros, entre eles o da Fazenda, ribeiropretano Antônio Palocci Filho, que procuram ajudar a presidência da República em suas honestas atividades, pelo que abrem guerra tenaz contra os derrotistas que acusam seguimentos oficiais de graves prevaricações no campo ético. “Se há denúncias, os órgãos responsáveis devem averiguar a sua veracidade. O excesso de falação cria um ambiente ruim para o País. Chega de intrigas. Chega de tensões e pressões”, desabafa o titular da Economia, de cujo pronunciamento resulta a convicção de que é inconcebível querer fazer-se o Planalto mais problemático do que foi o Catete em seus áureos tempos. “Ninguém está livre de ter um auxiliar escondido em alguma história imprópria. O governo não pode ficar paralisado por isso. Deixem-no trabalhar”, complementa o ministro. E, realmente, é preciso que trabalhe.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Ensinem-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios. Salmos 90. 12”.