08 de julho de 2026
Polícia

Radar móvel multa 16 em uma hora

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Em resposta à grande incidência de mortes no trânsito de Bauru, a Polícia Militar (PM) reativou ontem à tarde o radar fotográfico móvel, que estava fora de operação desde 2001. O equipamento, em apenas uma hora, flagrou 16 motoristas em velocidade acima da permitida na avenida Castelo Branco.

Todos eles foram multados por infração gravíssima, por essa razão, além de pagar R$ 547,00, ainda terão a carteira de habilitação suspensa automaticamente. Os motoristas excederam em mais de 20% a velocidade permitida da avenida, que é de 30 quilômetros por hora.

“As multas estão sendo feitas à revelia. Os motoristas não estão sendo abordados. Em 30 dias vão receber a multa pelo correio”, informa o cabo da PM Adilson Caldeira. De acordo com ele, todos os motoristas estavam transitando acima dos 50 quilômetros por hora.

“Escolhemos a avenida Castelo Branco porque as estatísticas mostram um grande número de acidentes provocados por alta velocidade”, informa. O último foi registrado no domingo passado, quando duas motocicletas colidiram na quadra 40 da avenida. O acidente provocou a morte de um motociclista e deixou o outro gravemente ferido.

“Vamos estender a fiscalização para outros pontos da cidade como a rua Bernardino de Campos e avenidas Duque de Caxias, Nações Unidas e Nuno de Assis. A operação pode ser realizada em qualquer horário. O radar possibilita que o policial tenha uma mobilidade para ir a vários lugares em pouco espaço de tempo”, explica Caldeira.

Placas

Segundo ele, o trabalho dispensa a instalação de placas de advertência para o uso de radar móvel, conforme prevê a resolução 146 do Conselho Nacional do Trânsito (Contran). Porém, as placas - obrigatórias para os radares fixos - foram instaladas ontem.

“Queremos trabalhar a conscientização dos motoristas. O radar móvel só era utilizado para atividades educativas desde 2001 porque estava sem aferição do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), que demorou para realizá-la por causa do volume de trabalho. Ele só voltou há um mês”, esclarece o policial.

Apesar da intenção, vários condutores reclamaram da iniciativa da PM. “A gente já paga tanto imposto e agora mais essa. Deveriam colocar lombada na avenida para conter o fluxo (de carros). Tinham que fiscalizar no sentido de instruir. Do jeito que está parece um meio para recolher dinheiro”, lamenta o empresário Eduardo Furlan.

Queixas com o mesmo conteúdo chegaram aos montes ao ouvido do frentista Helton Magno Vantin, que trabalha num posto próximo ao local onde o radar estava instalado. No entanto, ele também ouviu comentários favoráveis.

“Acho bom (a utilização do radar) porque o pessoal anda feito louco. Já sofri acidente de moto aqui”, relembra Ricardo Duarte Araújo, que abastecia seu veículo no posto. Concorda com ele um funcionário público que pediu para não ser identificado. Ele defende a instalação de um radar fixo ao longo da via.

“Tem que ter fiscalização porque os motoristas são imprudentes. Vejo muita barbaridade por aqui. Seria uma forma de coibir a grande quantidade de acidentes”, comenta o ciclista Adilson Aparecido Barbosa.

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Nove mortes

Já foram registradas em Bauru nove mortes em acidentes envolvendo veículos neste ano, sendo dois deles apenas no último final de semana. O número equivale a 53% do total de vítimas fatais de todo o ano passado, que chegou a 17. Conforme o JC publicou em matéria nesta semana, em 2003 não foi registrada nenhuma morte no primeiro trimestre.

Por essa razão, além de intensificar a fiscalização nos principais corredores viários do município, a PM também manterá as operações com bafômetro e as campanhas educativas já desenvolvidas pela corporação.

“Não temos outro interesse senão o de reduzir as estatísticas (de acidentes). Não existe mais a gratificação que os policiais recebiam da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) através do convênio de trânsito”, conclui o cabo Adilson Caldeira.