08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O desabafo do Sr. Bauru


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- Ô, sr. Bauru, tudo bem?

- Que tudo bem que nada, “companheiro”, tô todo cheio de buraco, quebrado! Eu que era tão bonito, grandão mesmo, aqui pelas redondezas não existia ninguém maior que eu, nem mais bonito. Todo mundo gostava de mim, sentia saudades, quem me conhecia, não queria me deixar. Mas hoje parece que tudo o que faço, dá errado...

- O que o senhor acha que aconteceu?

- Sabe como é, acho que me envolvi com pessoas erradas, má companhia, sabe! Além disso, todo mundo só quer se aproveitar da gente, tudo tem interesse, e se tem gente boa, não aparece! Já me disseram até que em outras paragens, sou motivo de chacota, de piada mesmo. Isso me revolta, porque todo mundo sabe do que é capaz, e eu também sei.

- Ô, sr. Bauru, deixa disso. Levante a cabeça, tudo nesse mundo tem jeito. Só não tem jeito pra morte e o senhor tá muito vivo, que a gente sabe.

- Talvez o senhor esteja só meio desiludido, é a tal da depressão, esse mal dos novos tempos. Mas pra tudo tem remédio. É só a gente ver o que é que está errado e consertar! Então vamos lá.

- Primeira coisa, vamos cortar as más companhias, o senhor, sr. Bauru, não pode mais andar por aí com qualquer um, a gente sabe que tem muita gente ruim ao seu lado, o senhor acha que são seus amigos, mas...

- O senhor disse que tá quebrado? Que quebrado que nada, o senhor ainda tem muita gente querida, que gosta de verdade do senhor. Tenho certeza de que só se afastaram devido às más companhias, eles irão voltar!

- Quanto aos seus vizinhos, que andam fazendo piada com o senhor, isso aí é só fogo-de-palha, é só o senhor falar grosso, que o respeito volta, ah volta!

- Bem, depois vamos precisar cuidar da aparência, sabe como é, apresentação é tudo. Vamos trocar essa roupa, pintar esse cabelo, fazer essa barba, entrar em forma mesmo.

- Aí, tá vendo, quando a gente menos esperar, o senhor já será outro.

- Obrigado, meu filho, eu estava precisando mesmo de esperança!

- Que nada, sr. Bauru, nós todos que somos teus filhos verdadeiros e que te amamos de verdade, temos muito orgulho, e precisamos muito do senhor. Apesar dos problemas em que se vê envolvido, o senhor é como nosso pai querido, somos todos os seus filhos e vamos cuidar do senhor, que sempre nos acolheu. Reverenciar o berço da nossa infância é dever, obrigação. O lugar onde se nasce é raiz do nosso ser, mesmo que o tempo passe, nunca se deve esquecer.

Carlos José Galvão de Moura - Cacau - RG 18.479.854