09 de julho de 2026
Articulistas

Apenas um filme


| Tempo de leitura: 3 min

Seria apenas um filme se o tema não fosse os últimos momentos da vida Daquele que mudou, para sempre, a trajetória da humanidade. Não falo, aqui, como crítica de cinema. Longe de mim. Também não obtive, ao longo de meus 35 anos, grandes títulos de doutorado e mestrado nisso ou naquilo, que me dessem, em nível intelectual, muita credibilidade. Opino por aquilo que conheço, que li e aprendi, lendo, muitas vezes, nas páginas da Bíblia; outras vezes, nos livros e outras tantas nas páginas da vida (aquelas duras que só nós conhecemos).

O filme “A Paixão de Cristo” impressiona e causa polêmica. Os trechos do Evangelho comprovam aquelas últimas horas de agonia do Senhor. A polêmica, acredito eu, está mais no confronto que as cenas chocantes da flagelação e crucificação causam em quem as assiste (mas ninguém quer admitir): podemos ver, a nós mesmos, flagelando e crucificando o Senhor. Os cruéis flageladores, o povo que pedia a Sua crucificação ou quem meteu, sem piedade, os pregos nas Suas mãos (ou punhos, como queiram) e pés, para fixá-Lo na cruz, pessoas estas representadas no filme, existiram, de verdade! E que poderiam ter sido, perfeitamente, eu ou você. Será que nós, no nosso dia a dia, também não flagelamos e crucificamos Jesus com nossa arrogância, hipocrisia, indiferença, ódio, falsidade, ganância?

Pense bem: talvez, se Jesus estivesse para nascer, nos dias de hoje, muitos aconselhariam a Virgem Maria a abortá-Lo; ou, quem sabe, Ele morreria de sede, ainda pequenino, morando em terras áridas, onde quase não chove; ou de fome, como no Brasil, em que muitos chegam a comer papelão ou lagartos. Pode ser, ainda, que Jesus fosse vítima de uma bala perdida; ou viveria em alguma nação com constantes conflitos e sua casa poderia ser explodida com uma bomba. E ainda dizem que o filme é que é violento! Será que não é apenas um retrato de como o nosso mundo, cheio de homens mesquinhos, continua sendo (ou piorando)? Não é verdade que, naquelas cenas, nos identificamos, muitas vezes, com o traidor Judas que preferiu o dinheiro a Jesus? Com aqueles “doutores e mestres” que, arrogantes, pareciam ser donos da verdade? Com a covardia de Pedro que negou Jesus? Com aqueles que O feriam sem piedade? Com aqueles que riam Dele e achavam que Ele merecia tudo aquilo? Não agimos, muitas vezes, nós, de maneira semelhante?

Enquanto as opiniões se dividem entre “assistam” ou “não assistam”, a Igreja se prepara, mais uma vez, para reviver os momentos cruciais da morte de Nosso Senhor e da Sua Ressurreição. Será que não seria uma oportunidade de penetrarmos, um pouco mais, nos passos finais da vida de Jesus Cristo e tentar compreender como foi possível que um homem, tão injustamente condenado, cruelmente flagelado e crucificado, continuasse tendo, pelos homens, inclusive seus algozes, sentimentos de amor, bondade e compaixão? Isto sim é que é polêmica! Termino dizendo que é apenas um filme, mas, assistam. Vale a pena.

A autora, Miriam de Fátima Pinto de Oliveira, é professora, escritora e autora dos livros: “O martírio do Gólgota e sua mensagem” e “Jesus para as crianças”.