31 de maio de 2026
Articulistas

Ramos que a Igreja abençoa


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“Fugir evangelicamente da trágica poluição atmosférica que reina nas grandes cidades tem remédio: viver mais próximo com a natureza, sentir de perto o verde da vegetação e até mesmo mexer carinhosamente a terra. Tudo porque as vegetações, marcadas por características próprias, geralmente falam de um mundo mais bonito, mais humano, feito de amor e harmonia, como deseja seu Criador.” E o quanto alardeiam os ambientalistas, defendendo o expressivo colorido das inúmeras espécies, as quais o todo poderoso Deus, criador de todas elas, num total de 2 mil, entregou a seus queridos filhos, para tornarem mais alegres e românticos os seus lares e demais ambientes, nos quais passam suas prolongadas horas.

Os admiráveis cactos, de cultivo muito propício por motivo de sua exposição maior ao sol, luz e ar, desfrutam de elogiosas referências dos especialistas. E o interessante é que eles procedem exatamente de onde bem poucos chegam a pensar. Ao invés de virem das sombras do deserto, habituam-se a climas quentes, áridos, com muita ventilação, constituindo-se, então, em exemplos extraordinários de adaptação ao meio-ambiente, com suas folhas se tornando espinhosas e o caule espesso, conseguindo, conseqüentemente, manter boa reserva de água e suportar o desamor das intempéries. Não são todas as espécies que possuem espinhos, pois aqueles provenientes das matas brasileiras são lisos, com folhas carnudas e caules achatados, enquanto outros trazem uma camada de tufos, com a aparência de “cabeleira” de seda branca, só encontrados nos verdadeiros. Todos, porém, quando floridos, constituem um espetáculo de raríssima beleza, beleza que vem do deserto enfeitar os peitoris das janelas domésticas e, logicamente, torna facílimo ter um belíssimo jardim dentro de casa, favorecido pela excelsa natureza, da qual ficam apaixonados todos os seres viventes porque não conseguem viver sem as suas bondades, com as quais ela enfeita, suaviza e ilumina a estrada de cada um.

Neste evocativo Domingo de Ramos, hosanas, muitas hosanas, à douta natureza, que faz o milagre de transformar as feridas dos espinhos na emotiva suavidade dos ramos abençoados pela Igreja. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Bem-aventurados os que sabem rir de si próprios, pois terão sempre com que se divertir - Folliet”.