08 de julho de 2026
Geral

Câncer de mama exige mais exames

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A política de prevenção do câncer de mama, anunciada anteontem pelo Ministério da Saúde para tentar reduzir as mortes pela doença em todo País, relativa a importância do auto-exame das mamas e prioriza o exame clínico e mamografia na prevenção e diagnóstico da doença. Porém, para colocá-la em prática em Bauru, o Sistema Único de Saúde (SUS) terá que elevar o número de mamografias que autoriza os hospitais públicos a realizar todos os meses.

Esta é a avaliação de José Cardoso Neto, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que administra o Instituto da Mama inaugurado há dois anos na cidade. Também pensa da mesma maneira o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que é um dos médicos do instituto.

Por mês, a AHB, que dispõe de dois mamógrafos, pode fazer 400 exames. Já a cota do Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo é em torno de 160. “Se fizermos uma campanha incentivando a realização do exame, temos que ter condições de atender essas mulheres”, diz Cardoso Neto. “E se ultrapassarmos a nossa cota, o SUS não paga”, completa.

Tobias explica que para câncer de mama, o que mais mata as mulheres brasileiras, não há prevenção, apenas diagnóstico precoce. Por isso, diz, a mamografia é uma arma importante apesar do auto-exame das mamas ajudar. “De cada dez mulheres, uma tem possibilidade de ter câncer de mama. Se o diagnóstico for feito quando o tumor ainda estiver pequeno, a chance de cura é maior, de até 90%”, frisa.

Até agora, campanhas de prevenção financiadas pelo governo sempre defenderam que o auto-exame era o principal aliado na prevenção da doença. A nova proposta do Ministério da Saúde é que todas as mulheres acima de 50 anos façam mamografia a cada dois anos e se submetam a exame clínico anualmente.

Atualmente, o tempo médio de espera para uma mamografia em Bauru é de 30 a 40 dias, de acordo com Cardoso Neto. “Se fizermos uma campanha maciça na cidade, como já pensamos em realizar, para conscientizar as mulheres a fazer a prevenção, a nossa cota não será suficiente”, diz o superintendente da AHB.

Ao anunciar a nova política para redução das mortes por câncer de mama, o Ministério da Saúde informou que irá investir na compra de mamógrafos - 91% das cidades brasileiras não tinham aparelho disponíveis na rede pública de saúde em 2003. Porém, até ontem, não havia sido divulgado se o SUS autorizará as cidades que já têm mamógrafo, como Bauru, a realizar mais exames.

Para Tobias, o ideal seria dobrar a cota de mamografias para Bauru. Cardoso Neto frisa que apenas o aparelho do Instituto de Mama, que é um dos mais sofisticados existentes no mercado, tem condições de fazer 2 mil exames por mês. A assessoria de imprensa do Hospital Estadual também informou que o mamógrafo da unidade opera com ociosidade devido ao limite de cota definido pelo SUS.

Apesar de ressaltar que o auto-exame das mamas não consegue detectar o câncer no início, Tobias recomenda que as mulheres continuem fazendo a apalpação. “É melhor pegar um tumor de três centímetros do que pegar quando ele estiver com quatro, cinco”, frisa.