08 de julho de 2026
Geral

Vacina combinada facilita vida dos pais

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Laboratórios e institutos de pesquisa têm investido cada vez mais recursos no desenvolvimento de vacinas que agrupam em uma única dose dois ou mais agentes de combate a doenças diferentes. Na opinião de especialistas, esta é uma tendência para o futuro, na tentativa de facilitar a vida dos pais e ainda reduzir custos nas campanhas de vacinação.

Atualmente, o Instituto Butantan desenvolve uma nova vacina contra hepatite B e tuberculose. No ano passado, a Secretaria de Estado da Saúde já alterou o calendário de vacinação infantil para a inclusão definitiva das vacinas tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e da tetravalente (junção da DTP, contra difteria, tétano e coqueluche, e a Hib, contra hemófilo).

Na opinião do infectologista Marcelo Pesce, a conjugação de vacinas em doses únicas ou redução no número de aplicações são os alvos dos investimentos dos maiores laboratórios de pesquisa no mundo todo. O principal objetivo, segundo o especialista, seria ampliar a praticidade da vacinação.

“Atualmente, o fato é que pode se prevenir mais doenças do que antigamente, com o desenvolvimento de novas vacinas”, constata Pesce.

No entanto, a redução no número de doses preocupa alguns pais. Ontem à tarde, Ana Carla Nogueira Alves levou sua filha de 7 meses, Ana Sara, para completar a vacinação contra tétano e paralisia infantil. Ela questiona a eficácia de vacinas conjugadas. “Se for para dar menos doses das vacinas para depois a criança ficar mais exposta à doença, não teria utilidade. Mas se for feita uma vacina que tenha o mesmo valor de proteção das que existem hoje, seria bem mais fácil para os pais”, pondera.

Para Luciana Apolônio Rodrigues Carneiro, que tem um filho de 7 meses, Renan, a vacinação em mais de uma dose proporcionaria a garantia de um reforço maior na proteção da criança. “Eu tento manter o calendário de vacinação certinho, não atraso, porque tenho medo de deixar passar alguns dias e o bebê pegar algum vírus nesse período. Será que a falta das outras doses não vai diminuir a imunidade?”, questiona.

Pesce responde que as vacinas conjugadas não perdem sua eficiência no combate a uma doença. Segundo o infectologista, já há fórmulas que combinam até seis componentes de proteção e que são aplicadas em uma única dose.

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Calendário

Depois do nascimento, a criança deve tomar a vacina BCG (contra tuberculose) e ser imunizada contra a hepatite B, o que se repete aos 2 e 6 meses. Com a nova vacina dupla, as duas aplicações posteriores seriam eliminadas do calendário.

A imunização contra a poliomielite, atualmente a maior campanha de vacinação nacional, mantém-se aos 2, 4, 6 e 15 meses e entre 5 e 6 anos de idade. O calendário prevê ainda a aplicação da DTP aos 15 meses e entre 5 e 6 anos, e a Dt (contra tétano) aos 15 anos. Esta deve ser reforçada a cada dez anos, por toda a vida.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, no ano passado foram distribuídas para as unidades de Saúde de Bauru cerca de 102 mil doses de vacina, no valor de R$ 154,7 mil. O montante não inclui o material enviado para as campanhas, e sim apenas as doses enviadas para as aplicações de rotina nas unidades.