O Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves” recebe hoje e amanhã em seu palco a Companhia de Teatro de Braga, de Portugal. O grupo realiza, respectivamente, a estréia nacional dos espetáculos “Algumas Polaroids Explícitas” de Mark Ravenhill e “Da Vida de Komikase”, de Alexei Chipenko. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro.
As produções chegam à cidade através de uma parceria firmada com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo para um intercâmbio cultural, entre os dias 20 de março e 20 de abril, por algumas cidades do estado de São Paulo. A Companhia de Teatro de Braga foi fundada em 1980 no Porto e está radicada em Braga desde 1984. Um dos seus principais objetivos é sempre se renovar, buscando novas dramaturgias.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), o espetáculo “Algumas Polaroids Explícitas”, que será apresentado hoje, às 21h, cria um retrato atual de nossa sociedade abordando temas que desafiam os seres humanos, como a atmosfera do desassossego e a falta de referências éticas espirituais e de ideais na luta política.
Segundo a companhia, “os sistemas de pensamento, as religiões e as ideologias que hoje abraçam tudo acabam sendo indefectivelmente imperfeitas, mas vão oferecendo tranqüilidade às pessoas”. O grupo afirma que a questão da peça de Ravenhil é justamente questionar se é melhor viver sob essa segurança ilusória ou não.
“Algumas Polaroids Explícitas” vai trabalhar sobre esse ponto. Por meio de um conflito de pessoas e gerações, centrado na família, o público poderá refletir sobre essa questão, exposta por meio de uma moralidade cínica, mas de modo tremendamente divertido.
Mark Ravenhill nasceu em 1966 em Hayawards Heath, na Inglaterra. Estudou teatro e literatura inglesa na Universidade de Bristol, de 1984 a 1987. Sua primeira obra para teatro foi “Shopping and Fucking”, que estreou em outubro de 1996 no Royal Court Upstairs.
Amanhã, às 19h, o Teatro Municipal recebe o espetáculo teatral “Da Vida de Komikaze”, da obra de Alexei Chipenko. A peça vai abordar a existência humana, ou melhor, “o absurdo da existência”, como afirma a companhia portuguesa.
O espetáculo é centrado na vida de um homem, chamado Komikaze, cuja genealogia é envolta em brumas e incertezas. O único fato indiscutível é que esse homem inaugurou a dinastia dos Komikaze, que existe e reproduz-se até hoje.
“Da Vida de Komikaze” é um espetáculo sobre a vida e sobre a morte. Sobre o caminho que estamos fazendo até o momento do fim de tudo. A peça é uma “loucura séria”, porque, como afirma o grupo teatral, “a única saída é acreditarmos que amanhã será melhor, que vamos acordar ressuscitados, numa cadeira, bebendo um café branco”.
Alexei Chipenko nasceu em Sebastopol, na Ucrânia, em 1961 e começou muito cedo a escrever monólogos e poemas. Guitarrista, animador de um grupo rock, estudou na Escola Estúdio do Teatro de Arte de Moscou. A sua primeira peça foi “O Observador” de 1984. Em 1993, Chipenko dirigiu “Da Vida de Komikaze”. O autor, além de ter sido jogador profissional de futebol, foi ator e um dos mais radicais autores russos na procura de uma nova escrita dramática.
• Serviço
Espetáculos “Algumas Polaroids Explícitas” e “Da Vida de Komikaze”, com a Companhia de Teatro Braga. Hoje, às 21h e amanhã às 19h, no Teatro Municipal. Apoio: Unesp FM e Restaurante Sakai. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072/ 3235-1312.