No instante em que proliferam os divórcios, os desquites e as simples separações conjugais, fazendo deslanchar a problemática social do País, é mais que evidente a necessidade de os sexos se aprofundarem em estudos sobre as suas responsabilidades quanto ao matrimônio, percebendo que não podem eles se consorciarem tendo em mente unicamente as suas satisfações sexuais, que um dia deverão cessar, mas também predisposição para uma vida conjugal íntegra, representada por tratos pessoais e familiares afáveis e permanentes, que não podem nunca perder-se nas encruzilhadas terrenas, para que os enlaces não sofram o castigo de tantas quedas e declínios como os que vêm ocorrendo.
Então, pergunta-se: como seria o casal ideal, aquele que não se deixa atropelar pelas atrocidades da existência? Muitas são as exigências requeridas para que se possa defini-lo exatamente, porque se tem em conta que para fazê-lo há que se considerar que marido e mulher sejam, fundamentalmente, tão perfeitos como possível na longa trajetória de seu casamento. Precisam ser harmônicos em tudo, sem a menor sombra de dúvida. Não podem ser, por exemplo, como dois bailarinos que dançam abraçados mas não se ajustam, vivendo em descompasso... Além disso, ambos precisam conversar bastante, pois ao casal que não conversa entre si falta o complemento da graça verbal, uma vez que, ao contrário do que muitos pensam, a graça também faz parte da sexualidade. A isso se acrescenta a coragem do casal de se perdoar sinceramente, além de ambos se entregarem a uma fidelidade absoluta, para que tenham condições de passar para os filhos a imagem do casal feliz que um dia Deus reuniu no seu santo altar.
É lógico, então, que o casamento seja motivado por um amor pleno, integral, perfeito, com base no qual seja no lar, no trabalho ou na sociedade um reserve para o outro o melhor lugar a fim de que a harmonia esteja sempre presente em seus corações, de sorte que possa obter todo o equilíbrio necessário ao seu relacionamento pessoal. É sumamente importante também o comportamento de ambos em público para exemplo dos que os contemplem, servindo de espelho para os que gostariam de ser felizes como eles são, como forma realmente o casal ideal, segundo a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Quem passou a vida em brancas nuvens! Nem em plácido repouso adormeceu! Nem sentiu o frio da desgraça! Passou pela vida e não sofreu! Foi espectro de homem e não foi homem! Porque passou pela vida e não viveu!” A.G.L.