30 de maio de 2026
Polícia

DIG investiga estelionatários por golpe aplicado à colônia japonesa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) está investigando um golpe aplicado contra a colônia japonesa de Bauru. Pelo menos três pessoas foram contatadas pelos estelionatários que, segundo informações extra-oficiais, teriam lesado uma delas em U$ 8 mil (cerca de R$ 23 mil).

Os golpistas agem de uma forma única para obter dinheiro de famílias com parentes no Japão, informa o delegado titular da DIG, J.J. Cardia. De acordo com ele, um estelionatário faz contato telefônico com a família em Bauru e informa que um parente sofreu um acidente grave no Japão e está precisando de dinheiro.

“Disseram que o filho dele (da vítima) era causador de um grave acidente de trânsito e não portava habilitação. Ele ligou para o Japão, mas o rapaz estava com gripe e voz rouca. Não dava para entender o que ele dizia”, explica o delegado.

Por essa razão e pelo fato da vítima ter reconhecido até o sinal característico da ligação interurbana realizada do Japão, decidiu enviar o dinheiro. O montante foi entregue a um homem em frente a um supermercado da cidade.

“O estelionatário teria guardado (a verba) numa bolsa preta e teria pedido para que voltasse para casa, onde receberia uma ligação do consulado. Já na residência, a família ligou novamente para o Japão e descobriu o golpe”, informa o delegado, sem dar detalhes do rumo das investigações.

Até que os estelionatários sejam localizados, a informação será a arma utilizada pela colônia japonesa para se proteger contra o delito. “Vamos avisar no clube todo. Temos aproximadamente 1800 famílias de japoneses em Bauru, sendo que quase 100% têm parentes no Japão. Nunca ouvi falar desse golpe, mas faremos o alerta”, informa o presidente do Clube Cultural Nipo Brasileiro de Bauru, Teruo Tazaki.

Através da divulgação, um membro da colônia não foi vítima de estelionato. “Há uns cinco ou seis anos atrás fiquei sabendo do golpe através de um jornal da colônia distribuído na Capital. Avisei minha esposa. Foi ela quem recebeu a ligação”, conta um japonês, que não quis ser identificado.

A dica ajudou a esposa dele a desconfiar da ligação. Ela também estranhou o fato de um estranho avisar sobre o acidente, embora suas irmãs morem juntas numa casa no Japão.

“Também ligaram para minha irmã para contar sobre um acidente com meu irmão caçula. Ela achou suspeito porque nunca ligam para ela. Aproveitamos para avisar uma tia mais idosa que mora aqui. Ela disse que se tivesse recebido o telefonema teria ficado desesperada e enviado o dinheiro antes de perguntar (as circunstâncias qualquer coisa). A pessoa que liga tem sotaque nissei”, conclui. Estelionato é crime punível com um a cinco anos de reclusão.