08 de julho de 2026
Saúde

Estresse aumenta consumo de nutrientes

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com o médico ortomolecular Oduvaldo Moreno Prado, o estresse é o maior inimigo do ser humano moderno. Ao manter o organismo em estado de alerta, ele promove um conjunto de alterações no metabolismo que resultam, por um lado, num consumo muito maior de nutrientes para a produção de hormônios; por outro, na redução da capacidade de absorção dos mesmos pelo organismo.

Uma das principais repercussões é a aceleração do envelhecimento. “O estresse faz aumentar a produção dos radicais livres. Em níveis moderados, eles protegem o organismo, pois têm ação virucida, bactericida e fungicida. Mas produzidos em excesso, eles começam a destruir nossas próprias células”, comenta.

Outra repercussão é o ganho de peso. Uma das causas apontadas pelo médico é o aumento da produção de cortisol. A substância altera o funcionamento da tireóide e a capacidade de absorção dos nutrientes pelo organismo.

“Também ocorre uma redução na produção de serotonina, que é o hormônio da felicidade. Uma das funções da serotonina é estimular o centro da saciedade, ela faz você se sentir satisfeito com pouca comida. Uma baixa produção deste hormônio faz você sentir mais fome”, comenta.

A mesma serotonina está relacionada às oscilações de humor e ânimo. A baixa produção desta substância pode deixar o indivíduo depressivo e apático ou nervoso e agitado.

Estilo de vida

Prado salienta que o grande mal da humanidade é o estilo de vida adotado globalmente. “As pessoas se alimentam mal, preocupam-se demais com horários, têm dois ou três empregos, fazem cursos de atualização, enfrentam a competição de mercado. Tudo isso gera estresse e desencadeia toda essa revolução metabólica”, comenta.

Segundo o médico, a correria moderna faz com que as pessoas optem por lanches rápidos e pratos prontos, quase sempre carregados de temperos artificiais e gordura saturada. “Também há o problema do beneficiamento. Boa parte do que se come hoje passa pelo processo de refinamento, que retira grande parte dos nutrientes dos alimentos”, comenta.

Outra observação do médico é a falta do lazer e do prazer na vida moderna. “As pessoas precisam ter prazer para estimular a produção de hormônios da felicidade. Algumas empresas têm investido em salas e atividades especiais para o relaxamento de seus funcionários. Além disso, fora do trabalho, as pessoas precisam reservar pelo menos uma hora do seu dia para uma atividade que lhes dê prazer”, comenta.

Segundo o médico, momentos de prazer desencadeiam a produção de serotonina e endorfinas. “Os hormônios não impedem a pessoa de viver situações de estresse, mas funcionam como um escudo protetor, permitem que o indivíduo responda a essas situações com menos prejuízo para o organismo”, enfatiza.

O médico destaca que essa sobrecarga de atividades do mundo moderno atinge até mesmo as crianças, matriculadas numa infinidade de cursos desde os primeiros anos de vida e sem tempo para brincar.

“A alimentação deveria ser a única fonte de vitaminas e minerais durante boa parte da vida do ser humano. No entanto, tanta atribulação faz com que tenhamos crianças com carências nutricionais. Hoje em dia, temos usado a suplementação em indivíduos cada vez mais jovens”, observa.

A nutricionista Lísia Kiehl defende a revisão dos hábitos nutricionais como regra principal para o equilíbrio de vitaminas e minerais no organismo.

“Só um profissional é capaz de identificar a necessidade de se complementar a ingestão de nutrientes com fórmulas. Principalmente porque é preciso saber combinar as fórmulas com o cardápio da pessoa, senão um anula o outro”, destaca.