O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo, que foi inaugurado em novembro de 2002 e passou a funcionar gradativamente, já iniciou a realizar cirurgias cardíacas pediátricas. Há cerca de 20 dias, a equipe de cirurgiões e cardiologistas pediátricos fez a primeira intervenção do tipo na instituição. A segunda foi realizada há dois dias. As duas crianças passam bem, informa a assessoria de imprensa do hospital.
A primeira cirurgia cardíaca pediátrica do HE foi feita em um recém-nascido de 5 dias de vida. Ele nasceu prematuramente no dia 19 de março e apresentou uma grave cardiopatia cianótica (doença cardíaca congênita que deixa a criança com coloração roxeada) e o único tratamento é o cirúrgico.
A intervenção durou cerca de 1h30. Anteontem, o recém-nascido teve alta hospitalar depois de passar por novos exames e avaliação médica. A outra cirurgia foi realizada há dois dias em um garoto de 9 anos, residente em Brotas, que ainda está na UTI pediátrica do hospital.
O menino também possuía uma cardiopatia congênita que iria trazer sérios problemas na vida adulta. O garoto começou a apresentar dores no peito e falta de ar. Em dezembro, a mãe procurou o serviço de saúde em Brotas e depois de vários exames ele foi encaminhado para os especialistas do HE.
Com essas cirurgias, o Hospital Estadual, segundo a assessoria de imprensa, coloca em funcionamento um serviço inédito em Bauru e na região. A partir de agora, os pacientes cardíacos pediátricos com indicação cirúrgica da Direção Regional de Saúde (DIR-10) não precisarão mais ser deslocados para a Capital ou São José do Rio Preto, por exemplo.
Respeitando o planejamento da Secretaria de Estado da Saúde e DIR-10, com a integração das administrações dos hospitais que prestam serviço ao SUS, o Hospital Estadual se tornará referência no Estado em cirurgia cardíaca pediátrica e o Hospital de Base firma posição de referência estadual em cirurgia cardíaca em adultos.
O Hospital Estadual encerrou o primeiro trimestre com números que demonstram o crescimento contínuo da prestação de serviços de saúde à população de Bauru e mais 37 municípios da DIR-10, estimada em 1,1 milhão de habitantes. Em alguns setores, as previsões da Secretaria do Estado da Saúde foram superadas, segundo a assessoria de imprensa do hospital.
Nos primeiros três meses deste ano foram atendidos no ambulatório, entre consultas e retornos, 23 mil pacientes em 32 especialidades médicas. Em janeiro foram 3.180 consultas novas; em março esse número já subiu para 4.941. Os retornos foram 3.228 em janeiro e em março, 4.612.
As especialidades mais procuradas são, pela ordem, endocrinologia adulto, ortopedia, otorrinolaringologia, cirurgia plástica, urologia adulto e reumatologia adulto. No mesmo período, o HE realizou um total de 1.586 cirurgias, sendo 424 ambulatoriais e 1.162 hospitalares. De janeiro para março houve um aumento de 37% nos procedimentos cirúrgicos.
Em relação aos exames, foram 24.741 nos primeiros três meses deste ano, sendo 19.680 realizados pelo laboratório de análises clínicas e mais 5.061 nas áreas de cardiologia e diagnóstico por imagem. De janeiro a março, o Hospital Estadual fez 1.987 internações e ainda realizou 1.463 consultas de urgência referenciada.
Os números foram apresentados pelo diretor executivo do HE, Emílio Carlos Curcelli, à Secretaria do Estado da Saúde, e demonstram que o hospital está trabalhando de acordo com o planejamento e em alguns setores superou a previsão da própria secretaria, como no de consultas ambulatoriais (+17%), exames laboratoriais (+25%), e radiologia (+26%).
Unidade modelo
Diante dos números de atendimento do Hospital Estadual, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) afirmou que a unidade vem, desde sua inauguração, em novembro de 2002, superando a expectativa de atendimento. “Isso prova que o modelo de parceria adotado pelo governo do Estado está correto e serve de exemplo para o Paísâ€, declarou.
Tobias lembrou que 16 hospitais paulistas são administrados atualmente por entidades sociais de saúde sem fins lucrativos, as chamadas organizações sociais. Esse novo modelo de gestão foi implantado em 1998 para colocar em funcionamento os novos hospitais que começavam a ser inaugurados pelo governo do Estado. “São contratos de gestão nos quais o governo paga todas as despesas e o atendimento segue os princípios do SUS: universalidade, atende a todos; gratuidade, tudo de graça; e eqüidade, tratamento igual para todosâ€, explicou.
O deputado destacou ainda que a saúde é prioridade no governo Geraldo Alckmin (PSDB). “O orçamento de São Paulo para 2004 cresceu 10% e o repasse para as organizações sociais de saúde teve um aumento de 24%. Em 2003, o Estado repassou R$ 522,8 milhões para as 16 entidades que administram os hospitais estaduais. Este ano, esse valor subiu para cerca de R$ 650 milhões, já que o atendimento vem sendo ampliadoâ€, salientou Pedro Tobias, que é membro titular da Comissão de Saúde e Higiene da Assembléia Legislativa de São Paulo.