08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

PRECISA-SE DE UM AMIGO


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Sob este título, o Jornal da Cidade publicou, em 28 de setembro, colaboração que lembrava a cassação do presidente Nilson Costa, após infrene caçada por parte de seus adversários.

Inspirei-me, então, em publicação da Folha de São Paulo, de 29/12/74, num texto de profundas ressonâncias, que entre outras advertências, registrava: “Procura-se um amigo. Não precisa ser homem. Basta ser humano, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.”

Não sendo causídico, mas com presença constante no Corpo de Jurados da Comarca de Andradina, aprendera num rumoroso caso levado a julgamento, ocasião em que o preso, aproveitando-se do descuido do soldado, tomou-lhe o revólver, ferindo-o na nuca. Coube ao advogado de defesa convencer o Corpo de Jurados de que não houvera traição. Citou Clóvis Bevilacqua, citou Pontes de Miranda e concluiu:

- Traição, senhores jurados, não é apenas aleivosia, intriga, perfídia, mas a quebra de fidelidade prometida e empenhada. Traição é a quebra de confiança.

Adolescente, estudante do então Colégio Diocesano de Lins, deixei-me tomar por profundo ressentimento contra Judas, um dos 12, que aproximando-se de Jesus, disse: “Eu te saúdo, Rabi.” E beijou-o. Tão marcado gesto que “judas” é sinônimo de traidor. Outro símbolo da traição: Joaquim Silvério dos Reis, delator, a serviço do visconde de Barbacena. Como citei acima, não sou jurista. Sou leigo. Motivo por que não entendo o “valor” dessas gravações feitas à socapa, com pleno desconhecimento das pessoas abordadas. Quebra de confiança? Traição?!

O prefeito Nilson Costa vê-se envolvido por tão nefastos acontecimentos. Problemas relacionados à carne? Ao milho? Ao feijão? Não. Problema relacionado ao seu cargo de prefeito. Sabe-se: o Poder Judiciário é isento. E já se manifestou. E é consagrado o ensinamento de que “as leis cumprem-se; não se discutem”. Ademais, estamos a nove meses das eleições. Momento propício para os postulantes ao cargo de prefeito se lançarem candidatos; postularem as preferências populares. O Nilson Costa não o fez?! Retomo, mais uma vez, as palavras do cronista anônimo: “Precisa-se de um amigo para parar de chorar. Para não se ver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.” (Álvaro Baptista Pontes - RG 2.477.567)