Os imóveis da ferrovia espalhados por Bauru também são alvos de sugestões da comunidade. São barracões, galpões e antigas oficinas que hoje encontram-se em estado de abandono. A sociedade sugere que tais locais sejam destinados a atividades para geração de renda ou locais para sediar eventos, como centros de convenções.
É possível observá-los em diversos pontos da cidade. Na Vila Falcão, nas proximidades da avenida Alfredo Maia, há antigas oficinas, hoje ociosas, que foram depredadas e não receberam manutenção. O cenário é desolador.
No Centro, no início das ruas Gustavo Maciel e Rio Branco, também há prédios que compõem um cenário de total destruição. No Parque Triagem Paulista, há barracões abandonados.
Conforme o JC já noticiou, muitos desses imóveis foram saqueados e depredados ao longo dos anos. Trata-se de mais uma prova do descaso com o patrimônio da ferrovia.
As propostas são diferentes, mas todas elas apontam para a revitalização dos imóveis. Na opinião do professor de Direito e servidor da Justiça Federal Miguel Angelo Napolitano, os barracões poderiam ser aproveitados para criação de centros de cidadania.
São locais em que as pessoas poderiam emitir certidões, cédula de identidade e Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
Além disso, ele sugere que os locais sejam aproveitados como terminais de integração entre ônibus e trem. “A interligação poderia ser feita em pontos estratégicos da cidade”, diz.
O secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, também é favorável à idéia de aproveitar os imóveis existentes. Ele sugere centros de convenções ou até mesmo estabelecimentos comerciais. Esta última opção teria objetivo de revitalizar áreas hoje degradadas. É o caso do Centro de Bauru.
“Os prédios poderiam ser utilizados como forma de urbanização e revitalização de determinadas áreas”, argumenta o secretário.
Ele cita, ainda, que muitas entidades filantrópicas precisam de espaço para desenvolver suas atividades. Tal carência também poderia ser suprida com os imóveis da ferrovia, na opinião de Sérgio. “Parte dos galpões está condenada, mas grande parte ainda é possível recuperar”, avalia.
Urbanista
Para o urbanista e arquiteto José Xaides de Sampaio Alves, os prédios em estado precário poderiam ser retomados pelo poder público para implantação de atividades de geração de renda.
“Como não se recupera a função antiga, poderia haver uma gestão de planejamento para direcionar esses locais para geração de emprego e renda”, expõe.
Ele sugere que os imóveis sejam disponibilizados a empresários que queiram iniciar seus empreendimentos. Xaides calcula que eles poderiam dar origem a mais de 10 mil empregos. “Seria muito significativo, nos próximos anos”, reforça.
O urbanista indica, ainda, que seria possível financiar a recuperação dos prédios. Ele salienta que a tendência é de que as obras de reforma fiquem mais caras se a manutenção demorar a ser iniciada. “Área tem. Às vezes, a falta de imóvel é a dificuldade para o empresário iniciante”, observa.
Xaides sugere a criação de um grupo multidisciplinar para traçar ações visando o reaproveitamento dos imóveis.
“Os galpões estão se deteriorando no pátio ferroviário. No Centro, há muitos edifícios ociosos. No passado, eles tiveram muito uso. Agora, estão sem função definida”, frisa.
Reparos em trilhos
A assessoria de imprensa da Brasil Ferrovias, holding que controla as concessionárias da ferrovia em Bauru, informou que a empresa desconhece iniciativas voltadas ao transporte coletivo sobre trilhos na região de Bauru.
A assessoria alega, ainda, que as empresas só têm concessão para realizar transporte de cargas.
Quanto ao abandono da estrutura, equipamentos e imóveis, a assessoria limitou-se a dizer que há previsão de reparos no trecho compreendido entre Bauru e Corumbá, mas não há data marcada para início dos trabalhos. Não foram fornecidos detalhes sobre o que será feito na área urbana de Bauru.
A assessoria afirma que todos os imóveis da Ferrovia Novoeste S/A estão sendo utilizados para administração e atividades operacionais, como oficinas. Já alguns de responsabilidade da Ferrovia Bandeirante (Ferroban) estão ociosos.
A Brasil Ferrovias destaca também que há em Bauru imóveis da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).