Diante da situação precária em que ainda se encontra a estrutura ferroviária em Bauru, não faltam propostas para nova destinação e revitalização de trilhos, equipamentos e imóveis da ferrovia.
A situação não é nova e esse é um forte argumento que poderia ter sido utilizado para reverter o problema. Conforme o JC já noticiou inúmeras vezes, o que impera é o abandono e a falta de manutenção.
O fato das propostas não cessarem no decorrer dos anos aponta para o inconformismo da população que assiste à degradação de uma estrutura que conta a história da cidade e que foi responsável por seu desenvolvimento.
As idéias surgem de diversos setores da sociedade. O professor de Direito e servidor da Justiça Federal Miguel Angelo Napolitano, por exemplo, retoma a possibilidade de que os trilhos sejam utilizados para incrementar o transporte coletivo em Bauru, fazendo integração com os ônibus. Seria uma espécie de metrô de superfície.
“Em Bauru, todos os trilhos levam à praça Machado de Mello, que funcionaria como a Praça da Sé”, expõe o professor de Direito, que analisa a viabilidade jurídica da implantação do sistema.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso também é receptivo à idéia de Miguel Angelo.
Já o urbanista José Xaides de Sampaio Alves propõe que os galpões e barracões ociosos da ferrovia sejam utilizados para iniciativas voltadas à geração de empregos.
O secretário de Cultura, Sérgio Losnak, sugere que tais imóveis sejam revitalizados e transformados em locais como centros de convenções.
Atestado
A precariedade da malha ferroviária que passa por Bauru já foi atestada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que a considera extremamente delicada. A agência aponta degradação e sucateamento dos equipamentos.
São dormentes podres, desnivelamento de via permanente, vagões abandonados e prédios destruídos e saqueados. Ou seja, faltam manutenção e investimentos.
Os prédios do Parque Triagem Paulista, no Jardim Guadalajara, são amostras do abandono. Eles também foram saqueados. Telhas e máquinas das oficinas foram furtadas. Houve desmanche de locomotivas e vagões, conforme o JC constatou no início de 2003. Os alvos principais eram barras de ferro e eixos de locomotivas e vagões, que supostamente seriam vendidos em ferros-velhos.
Em julho de 2003, a ANTT proibiu a circulação de comboios pela Ferrovia Novoeste no período noturno, nos 1,6 mil quilômetros que compõem a malha - incluindo o trecho de Bauru. Os trens só poderiam transitar das 6h às 18h, em função das péssimas condições de segurança e do acelerado processo de precarização da via férrea permanente.
O mau estado de conservação dos dormentes e demais componentes dos trilhos forçou também a redução na velocidade dos comboios, que caiu de 45 quilômetros por hora para cerca de 20 quilômetros por hora.
O descaso também é visível através de uma enorme erosão que ameaça a linha de trem da Novoeste no Jardim da Grama, sentido Curuçá, na quadra 3 da rua Manoel Monteiro. Ela está há mais de um ano sem receber os devidos cuidados da prefeitura e por isso não pára de avançar.
O assunto já foi alvo de diversas manifestações. Em 2003, por exemplo, no aniversário de 46 anos da Rede Ferroviária Federal S.A., criada em 1957 pela estatização de 18 ferrovias regionais operadas pela iniciativa privada, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias coletou 2,6 mil assinaturas em prol do projeto de revitalização das ferrovias.