08 de julho de 2026
Saúde

Abril é ideal para vacinar contra a gripe

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas no mundo inteiro, inclusive no Brasil, estão sendo acometidas por uma gripe fortíssima, caracterizada por sintomas acentuados e de longa duração. A gripe é causada pelo vírus fugian - uma mutação bastante agressiva do vírus influenza.

Por isso, ele foi um dos três subtipos do germe escolhidos para compor a versão 2004 da vacina antigripal, que tem no mês de abril a época preferida para a imunização.

O Ministério da Saúde agendou para os dias 17 a 30 deste mês a 6.ª Campanha Nacional de Vacinação de Idosos contra a gripe. A meta é imunizar pelo menos 70% da população com mais de 60 anos de idade, o que totaliza aproximadamente 10 milhões de brasileiros.

Segundo o governo, na última campanha, mais de 80% dos municípios superaram a meta. A ordem, agora, é intensificar as ações nas cidades onde a cobertura vacinal ficou abaixo das expectativas.

É o caso de Bauru. De acordo com a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena de Abreu, a campanha de 2003 imunizou apenas 63,27% da população idosa local, estimada em 34,6 mil pessoas.

A baixa adesão é atribuída, principalmente, à falsa idéia de que a vacina causa a gripe.

Para o médico geriatra Guilherme Pupo Alves, essa idéia é absolutamente equivocada.

“A vacina é feita a partir de vírus inativados e fragmentados em laboratório. Você usa uma parte deles. Ou seja, os vírus presentes na vacina estão mortos e esquartejados. Não existe a menor possibilidade deles se multiplicarem no organismo humano”, salienta.

A ação da vacina ocorre porque, ao reconhecer as proteínas do vírus, o sistema imunológico humano ordena a produção de anticorpos para defender o organismo do germe invasor. Uma vez produzidos os anticorpos, a pessoa dificilmente será acometida por aquele subtipo do vírus.

Segundo o fabricante, a vacina tem entre 70% e 90% de eficácia e mesmo que a pessoa vacinada seja contaminada por aquele subtipo do influenza, os efeitos da infecção serão bem mais suaves se comparados com uma pessoa não imunizada.

Indicações

Especialistas afirmam que as únicas contra-indicações para a vacinação são para bebês com menos de seis meses de vida e para pessoas alérgicas a um ou mais componentes do produto: proteína do ovo (onde são cultivados os vírus em laboratório), neomicina (antibiótico) e timerosal (conservante). A imunização de mulheres grávidas depende de avaliação médica. Fora isso, qualquer pessoa pode ser vacinada.

A vacina antigripal é feita a partir dos três subtipos mais agressivos do vírus influenza que circulam no globo terrestre. Anualmente, laboratórios especializados de diversas partes do planeta selecionam as amostras (cepas) mais freqüentes de cada região. Ao final de determinado período, especialistas avaliam as amostras e escolhem as três mais preocupantes para a elaboração da vacina.

Segundo o Ministério da Saúde, a preocupação mundial não é com a gripe em si, que tende a desaparecer sozinha em uma a duas semanas em pessoas saudáveis.

O problema é que o indivíduo contaminado pelo influenza fica com o organismo debilitado e isso aumenta a possibilidade de infecção por outros agentes, simultaneamente. São as chamadas complicações.

A pneumonia é a complicação mais séria relacionada à gripe e pode matar. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) indica a vacina especialmente para pessoas que apresentam a saúde mais vulnerável.

Entre elas, destacam-se os idosos com mais de 60 anos, crianças com doenças crônicas, diabéticos, hipertensos, cardíacos, asmáticos, portadores de insuficiência renal ou hepática, transplantados, portadores do vírus HIV (causador da aids), pessoas que vivem em instituições (presídios e asilos), cuidadores de indivíduos debilitados e profissionais da saúde.

No Brasil, a rede pública de saúde oferece a vacinação gratuita para a população com mais de 60 anos de idade. A campanha deste ano vai até o final deste mês. Todos os postos de saúde terão doses disponíveis.