09 de julho de 2026
Articulistas

Um desafio às mulheres


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Acompanhando uma das palestras de Luís Henrique Beust, diretor-executivo do Instituto Anima Mundi (dedicado à implementação de programas na área da educação para a paz) algumas frases me chamaram por demais a atenção. Referiam-se a um pronunciamento feito por uma ilustre durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Reproduzidas por Luís Henrique, as frases diziam mais ou menos assim: “Mulheres, precisamos nos posicionar. Não podemos esquecer que representamos pelo menos metade da população mundial e que somos mães da outra metade”. Ora, que verdade insofismável! Eu sinceramente nunca havia pensado nisso. Era maravilhoso e terrível demais para ser verdade. Maravilhoso porque constatei que possuímos nas mãos as reais possibilidades de mudança. Terrível porque há anos estamos inseridas nesse contexto e pouco fizemos para transformar a nossa própria situação, colaborando silenciosamente para a manutenção da violência e do preconceito face à mulher.

Inúmeras são as mulheres espancadas em seus próprios lares, submissas aos seus agressores, indefesas diante dos homens que outras mulheres criaram e mal educaram. Discriminadas em seus locais de trabalho, ganhando menos que os colegas homens, para executar o mesmo tipo de trabalho. Vendendo seu corpo por bagatela, esquecendo-se de que se não existe oferta a procura acaba. Quanta coisa errada! E a quem devemos atribuir essas coisas? A Deus? Ao diabo? Aos homens? Ou a nós mesmas? Interessante fazermos uma reflexão acerca das palavras dessa ilustre senhora que desconheço, mas acredito, brilhantemente nos representou.

A mulher vem assumindo vasta gama de papéis mas continua exercendo o de “dona de casa” e, principalmente, o de “mãe”. Por mais ajudantes e empregados domésticos que se tenha, é fundamental a supervisão da “dona” da casa, em cujas costas recai o peso da administração do lar. O mesmo acontece em relação aos filhos, haja vista este artigo. Quase sempre quem acaba por educá-los é a mãe, a avó, a tia, a madrinha, ou a madrasta. Raros são os filhos criados exclusivamente pelos pais, avós, tios, padrinhos ou padrastos.

Hoje, os tempos são outros e educar filhos assume conotação de desafio. Situação, aliás, que tem sido negligenciada pela maioria. As crianças e adolescentes ficam perdidos entre a TV, o videogame, as drogas e a promiscuidade sexual. Antigamente, não era assim. Parece que as mulheres já nasciam para ser mães. Elas eram valorizadas como tal e tinham orgulho em educar seus filhos. Atualmente, as mulheres nascem para ser competitivas profissionais e acabam permanecendo mais tempo fora que dentro de casa. Trabalham para poder pagar uma escola particular período integral para seus pequenos bebês e ficam preocupadíssimas se não podem fazer isso. Às vezes, as mensalidades são maiores que os salários, mas elas nem cogitam a possibilidade de sair do trabalho para cuidarem de seus próprios filhos. Hoje em dia, ser “mãe” não tem valor algum. Sem querer polemizar, seria bom avaliarmos os resultados dos últimos tempos e nos posicionarmos frente a isso. (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga e autora do livro “Buscando a Felicidade”)