30 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Equilíbrio


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Já fazia alguns anos que eu não ia ao circo. Freqüentei muito e várias vezes essa “casa” de espetáculos, sob a lona calorenta e empoeirada, mas que sempre encantou e encanta a todos de todas as idades. Estive nesse domingo no circo que se instalou no Recinto Mello Moraes, quando fui levar meu garotinho, que pela primeira vez iria sentir as emoções do trapézio, globo da morte, malabarismo, etc. Os palhaços, obviamente, roubaram a cena, para ele, porém, para as atrações mais adultas, ele nem deu muita bola. Tudo corria na normalidade até a hora dos tigres brancos. Dois belos exemplares desses animais entraram no palco para dar o seu recado, e se não fosse pela inabilidade do domador ou por adestramento errado, tudo seria muito bonito. Por repetidas vezes o domador bateu na cara do animal maior, que deveria ser o macho, e quando não fazia isso, aplicava choques com um bastão preto no traseiro no mesmo, auxiliado por um funcionário, que fazia o mesmo, do lado de fora da grade de proteção. Tudo isso por que o animal não respondia aos seus comandos, e estava pre- judicando seu desempenho. Talvez seja assim mesmo e eu, devido aos anos de ausência de espetáculos circenses, esteja desinformado, mas ficou estranho e perceptível por todos na platéia que algo não estava de acordo. Proibir o circo com uso de animais talvez não seja a melhor saída, mas uma vistoria rigorosa não só nas condições de guarda, alimentação, etc, mas também quanto aos maus tratos, adestramento, etc. Algo tem que ser feito para que o circo continue, que faça parte de muitas gerações, mas com critérios claros e coerentes quanto ao uso de animais selvagens ou domésticos em suas apresentações, ou seja, tudo na dose certa.

Eduardo Alves Rodrigues - RG 9123787