08 de julho de 2026
Geral

Obras retomará reforma da ponte

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria Municipal de Obras está estabelecendo nova data para retomar a recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1. A previsão é reiniciar na próxima semana os trabalhos suspensos no ano passado, segundo Arlindo Figueiredo, titular da pasta. A passagem sobre o rio Bauru está interditada desde janeiro do ano passado por conta de rachaduras na estrutura.

A interdição obriga motoristas a dar uma volta de vários quilômetros para alcançar o outro lado do rio. Pedestres, ciclistas e motoqueiros, por sua vez, se aventuram por um atalho e uma ponte improvisada com cerca de um metro de largura.

De acordo com Figueiredo, o projeto para a recuperação da ponte foi finalizado e os processos de licitação para a compra dos materiais necessários para a reforma também já foram realizados. “Já temos os fornecedores vencedores das licitações e estamos aguardando a chegada dos materiais na próxima semana, para o mais rapidamente começar a recuperação”, afirma.

Os processos de licitação envolvem a compra das brocas de perfuração, para sustentação da ponte, e de ferragem armada e do concreto, para a elaboração da estrutura restante. No local, já está a tubulação de concreto que será utilizada para canalizar o rio sob a ponte.

A previsão de Figueiredo é que os trabalhos tenham duração de três meses. O custo da recuperação deve ficar em R$ 127 mil, mesmo valor que havia sido previsto no ano passado.

Longo caminho

Sem a possibilidade de passagem pela ponte, os motoristas que desejam ir da região do Mary Dota para o Distrito Industrial 1 ou vice-versa precisam fazer uma volta de alguns quilômetros pela cidade. Uma das alternativas é seguir pela avenida Rosa Malandrino Mondeli até a rodovia Marechal Rondon, e seguir por um dos acessos para a avenida Rodrigues Alves, que vai até o distrito.

No caso dos pedestres, ciclistas e motoqueiros, há uma alternativa mais curta, porém mais perigosa, na opinião de seus usuários. O operador Anderson José da Silva explica que sempre utiliza um pequeno atalho no meio do mato e a ponte de pedestres que cruza o rio Bauru a poucos metros da Ayrton Senna.

“Durante o dia, não é tão complicado, mas à noite é um problema. Todo dia eu vou buscar minha mãe no distrito e não tem iluminação nenhuma. Sabemos de várias pessoas assaltadas ali, no momento em que passavam pela ponte”, comenta.

Alexandre José de Oliveira, que trabalha com Silva em uma indústria do distrito, acrescenta que a dificuldade dos moradores é ainda maior em dias de chuva. “Aí não tem condições. Você sai com a roupa limpa para trabalhar e vai chegar imundo, porque tem que passar pelo mato e pelo barro. Além disso, quando chove muito, o rio encobre a ponte. Dar a volta pela rodovia de bicicleta é muito perigoso”, conclui.

Ações na Justiça

Estão tramitando na Justiça duas ações sobre a interdição da ponte Ayrton Senna. Uma, proposta pela Prefeitura de Bauru contra a Tofer Engenharia, empresa que construiu a ponte, pede ressarcimento do prejuízo.

Há também uma ação popular proposta pelo vereador Toninho Garmes (PSDB), na qual figuram como réus a administração municipal, a contrutora, o prefeito Nilson Costa (PTB), o engenheiro responsável pelo projeto, Osnei Torquato Ferreira, Raul Gomes Duarte (ex-secretário de Finanças), Edmilson Queiróz Dias e Antônio Carlos Duarte (ex-secretários de Obras) e Albiero Projetos e Construções Ltda, que participou da elaboração do projeto.

“Todos os réus já apresentaram contestação, então o juiz abriu prazo para que o autor popular apresentasse réplica - o que já deve ter ocorrido. O processo está nesta fase, o juiz vai determinar as providências seguintes, se será realizada uma audiência de conciliação ou se serão necessárias mais provas”, explica o procurador jurídico da prefeitura, Danny Monteiro da Silva.

O primeiro processo sobre a ponte, que pedia a produção de provas antecipadas, já foi encerrado. O pedido feito pela Prefeitura de Bauru no ano passado, resultou na perícia da ponte e apontou que as rachaduras teriam surgido por conta de alterações no projeto, da construção e de obras realizadas posteriormente na ponte.

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Interdição

A ponte Ayrton Senna custou cerca de R$ 250 mil e foi entregue em setembro de 2000, às vésperas da eleição que reelegeu o prefeito Nilson Costa (PTB). Com o surgimento das rachaduras na estrutura, em janeiro do ano passado, a prefeitura interditou a ponte e entrou na Justiça para apurar a responsabilidade do problema. Só obteve autorização para iniciar as obras de recuperação em agosto.

Na época, a previsão era de liberação do trecho até o final do ano, no entanto somente a primeira etapa da recuperação foi concluída até o momento.

Em dezembro do ano passado, a prefeitura cancelou um processo de licitação para recuperação, em função da elevação do custo do serviço de R$ 127 mil para R$ 220 mil, e anunciou que terminaria a reforma por conta própria. A previsão era liberar o tráfego até maio, mas os trabalhos ainda não foram iniciados.