09 de julho de 2026
Cultura

Livros: o encanto fundamental

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Mais do que oferecer novidades na área literária, a 4.ª edição da Feira do Livro Infantil, que será realizada até terça-feira no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, reflete a importância de se discutir valores éticos através da literatura infanto-juvenil.

A evolução precoce de meninos e meninas associada à facilidade do acesso a computadores, jogos eletrônicos, Internet, televisão, entre outros aparatos tecnológicos é, atualmente, alvo de constantes estudos. Uma das principais análises sobre o assunto destaca a necessidade de qualificar educadores e apresentar alternativas para melhor trabalhar a formação ética de crianças e adolescentes.

Seguindo essa linha, a conscientização através da cultura surge como uma das grandes apostas. Assim, a literatura infantil, que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado, desponta como um ótimo caminho para complementar a formação do caráter infantil.

“Estamos numa sociedade onde não estamos mais acostumados a ouvir. Estamos habituados a perceber muitas informações velozes e as crianças estão perdendo o que há de mais precioso na infância. Por isso existe essa geração que não respeita professores, pais e autoridades”, observa Maria José Maniezo, a Mazé. Escritora especializada em produzir livros para educadores, ela foi um dos destaques do evento ministrando oficinas lúdicas e palestras para professores.

A escritora bauruense Marina Monteiro - que esteve na última quinta-feira no evento dando autógrafos para os mais de 12 livros publicados - concorda com Mazé. “A criança está mais precoce porque ela tem mais acesso à informação. O computador veio trazer muitas coisas objetivas à criança, ele mesmo procura e alcança o que está procurando. Mas o livro não ficou em segundo plano. Quando a criança folheia uma obra, não importa se ela leu, ela pode ter se interessado pela capa ou pelo assunto e ali já começa o primeiro passo para estimular a leitura”, aponta.

Já para a escritora Carla Caruso, que também coordenou cursos na feira, o papel da literatura não é moralizar, mas sim sensibilizar as crianças, estimulando-as a serem mais críticas. “Não temos como controlar o que está acontecendo, essa velocidade de informações. Então, a literatura não será um remédio. Um bom trabalho literário não deve mostrar verdades absolutas, mas abrir possibilidades para que o leitor trabalhe a sensibilidade”, analisa.