Descalabro
A indignação geral que toma conta de Bauru pelo triste “presente de grego” que o prefeito Nilson Costa (PTB) dá à cidade logo após a Páscoa, quando parecia que a paz voltaria a reinar na política local, gerou ontem centenas de comentários tachativos de pessoas que ligaram, vieram ou se manifestaram por e-mail ao JC, desde o começo da manhã. Mas nenhum dos termos usados parece mais apropriado para a situação do que descalabro, que significa grande dano, ruína, segundo o Dicionário Aurélio.
Bauru indignada
A onda de indignação cresceu do começo ao fim do dia de ontem, prossegue hoje e vai chegar amanhã com grande parcela da população em plena mobilização para impedir pela via dos poderes Judiciário ou Legislativo o estrago que se desenha a partir desta atitude do Executivo. Grupo de bauruenses com narizes de palhaço, Câmara Municipal, PMDB, PT, PSDB, sindicatos e populares em geral protestam na edição de hoje.
Outras cidades
E os protestos contra tal acordo chegam também de outras cidades onde a CPFL atua. Ligadíssimos via internet no andamento do caso em Bauru, parlamentares destes municípios informaram que esperam até amanhã para pedir informações à Câmara local para adotar providências semelhantes, diante da fúria com que a empresa cobra pelo fornecimento de energia às cidades.
Foi enganado
O presidente da Câmara Municipal de Bauru, Renato Purini (PMDB), ao lado de outros vereadores (páginas 3 e 5), foi um dos bauruenses que reagiram veemente e imediatamente ao acordo. Ele diz se sentir enganado pelo prefeito, pois quando Nilson propôs a criação da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) usou como argumento o mesmo discurso que ora faz para tentar justificar o acerto milionário com a CPFL. Por isso, vai pedir a suspensão da cobrança da CIP, geradora de R$ 400 mil mensais, que já são destinados a pagar a empresa de energia.
CEI para apurar
O vereador Toninho Garmes (PSDB), que já havia feito denúncia sobre a cobrança no ano passado, ficou pasmo ao ler no JC de ontem que a prefeitura admite pedir o ressarcimento à CPFL se, lá na frente, a ação judicial que a tem como patrocinadora der ganho de causa ao município. Ele e outros vereadores devem encaminhar pedido de CEI para tentar reverter o que consideram “prejuízo enorme” ao município.
CPFL não paga
Outros aspectos deste acordo que precisam ser lembrados é que a prefeitura simplesmente não cobra da CPFL pelo uso do espaço público, onde estão os postes. Ora, se a empresa utiliza o espaço, deveria pagar por isso, como qualquer empresa no gozo de seus direitos e deveres. É o mínimo que a CPFL deveria fazer, pois leva mensalmente milhões de reais do povo em cobrança de energia que, por sinal, vai subir de novo em maio. E ainda vem cobrar milhões do município por uma dívida cheia de dúvidas.
Marsola em campanha
E em meio a esse barulho todo, o vereador Milton Dota Júnior, presidente do PTB (mesmo partido de Nilson) e defensor do acordo com a CPFL, anunciou ontem que seu partido vai apoiar uma candidatura a prefeito do chefe de Gabinete da prefeitura, Antonio Marsola (PPS). De quebra, dará o vereador Pastor Luiz para a candidatura de vice.