Em termos lingüísticos, o Brasil é uma ilha na América Latina. Vivia fechado em si mesmo até anos atrás, rodeado de países que falam o espanhol e, quando muito, se tentava, falar um “portunhol” - mistura improvisada de português com espanhol - que não serve para comunicação técnica, científica ou empresarial. A consolidação do Mercosul aumenta a necessidade de os brasileiros aprenderem a língua espanhola, hoje falada por mais de 380 milhões de pessoas no mundo e que já ocupa o segundo lugar como elemento de comunicação do comércio internacional. Agora, no Brasil, está acontecendo um novo descobrimento do idioma, o interesse pelo castelhano, nome dado à língua espanhola que nasceu na região de Castilha, na Espanha, bem como, pela primeira vez, valoriza-se a latinidade nos seus aspectos econômicos, culturais e lingüísticos. Dominar uma língua envolve além do conhecimento lingüístico, o feeling da cultura de um povo. Não se trata apenas de fazer traduções literais ou deduções de significados de palavras que parecem com o nosso vocábulo. Pela ilusão de que entende o espanhol, muitos brasileiros, ao que parece, têm “complexo” de que sabem espanhol ou castelhano, e acabam se envolvendo em situações embaraçosas. O caso mais interessante já publicado foi o de uma pernambucana. Ao chegar à Espanha, durante o período da seca de 1992, quando havia muita publicidade para a economia de água, ao ler um cartaz que dizia: “Hay sequía ahorre agua”, interpretou justamente ao contrário: “Havia seca, agora há água”, ao invés de: “Há seca, economize água”. Outra situação constrangedora é a de um jovem brasileiro. Ao fazer um convite a uma moça espanhola, que, na dúvida em aceitar ou não o convite no exato momento, diz que dará a resposta depois por telefone.
Ansioso e acreditando estar sendo gentil, o rapaz diz: “Voy te ligar mas no quiero te dejar embarazada”. Na realidade, trata-se de uma descortesia, pois em espanhol isto significa: “Vou transar contigo, mas não quero te deixar grávida”. Situações desagradáveis entre amigos podem colocar em risco o relacionamento e a estabilidade emocional das pessoas envolvidas, mas a situação pode ser esclarecida e contornada. No entanto, quando se trata de questões profissionais, o ruído na comunicação pode arruinar um negócio, custar muito dinheiro ou a garantia de um lugar no mercado de trabalho. Os empresários já começam a se conscientizar de que o “portunhol” não é suficiente na hora de negociar com interlocutores da América Latina.
Justamente por serem parecidos, o português e o espanhol têm palavras que aparentemente têm o mesmo significado, mas na realidade, são coisas completamente diferentes ou até mesmo opostas. Como o espanhol é uma língua irmã, muitos pensam que é fácil e acabam cometendo equívocos que podem acarretar faltas gravíssimas de comunicação. No mundo globalizado em que vivemos, não há mais lugar para comunicações que dependam de traduções, principalmente as feitas por deduções das similaridades de vocabulário, muito menos por interpretações estapafúrdias dos falsos cognatos. Portanto, estudar espanhol é fundamental para todos e, principalmente, para nós, brasileiros. (Fabiana Teófilo - professora de Espanhol, RG: 22.953.710-8)