Os desentendimentos e brigas por motivos fúteis, muitas vezes embalados pelo álcool ou pelas drogas, fizeram mais uma vítima fatal em Bauru. O comerciante Rondineli Lisboa de Oliveira, 26 anos, morreu na noite de domingo, em um bar no Ferradura Mirim. Ele é a 10ª vítima de homicídios provocados por discussões e a 21ª pessoa assassinada desde o início do ano na cidade.
De acordo com informações da Polícia Militar (PM), o desentendimento entre Oliveira e outro rapaz teve início em um estabelecimento na quadra 1 da rua 9. Os motivos da briga não foram esclarecidos. Durante a discussão, o rapaz sacou uma arma e efetuou vários disparos na direção da vítima, atingindo-a no peito e na cabeça. Oliveira foi socorrido pela unidade de resgate do Corpo de Bombeiros e encaminhado para o Pronto-Socorro Central, mas não resistiu e morreu ao chegar na unidade.
A delegada-adjunta da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Cíntia Maria Quaggio, relata que o atirador teria fugido do local após efetuar os disparos. Um suspeito foi apresentado pelos políciais militares que atenderam a ocorrência, mas não foi reconhecido por testemunhas que estavam no local.
“Estamos dependendo do resultado de alguns laudos para apontar se ele seria o autor do crime. Mas também estamos dando seguimento às investigações para apurar o caso”, afirma Quaggio.
Com a morte de Oliveira, sobe para 21 o número de homicídios em Bauru em menos de cinco meses deste ano. Desta forma, os índices de crimes desta natureza alcançam 50% do total de vítimas de crimes contra a vida do ano passado, quando foram registradas 42 mortes. No entanto, a Polícia Civil classifica como homicídio apenas os crimes em que a vítima morre no local.
Em entrevista ao JC no início do mês, o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, afirmou que o álcool e as drogas estão entre os principais combustíveis para os crimes contra a vida. “A pessoa alcoolizada ou drogada não pensa muito nas consequências de um crime bárbaro contra a vida”, apontou na época.
De acordo com informações da PM e da Polícia Civil, pelo menos oito homicídios cometidos desde janeiro têm alguma relação com venda ou consumo de álcool (veja quadro). Destes, cinco ocorreram com pessoas que estavam reunidas ingerindo bebidas, e outros três em bares ou similares.