08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Centro de triagem


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Fiquei bastante preocupada, como estudiosa e militante da política de assistência social, com a matéria veiculada pelo Jornal da Cidade em 18 de abril, intitulada “Triagem de migrantes seria alternativa”, publicada no Caderno JC nos Bairros, na qual surge uma proposta de criação de um centro de triagem de migrantes em Bauru. Em primeiro lugar, porque, se o objetivo for “controlar” a entrada de pessoas vindas de outras cidades, a proposta é, no mínimo, esdrúxula, principalmente porque o direito de ir e vir (e permanecer) é garantido pela Constituição Federal a todos os cidadãos brasileiros. E ainda pergunto: a idéia seria controlar apenas a entrada de pessoas pobres? Em segundo lugar, se o objetivo for orientar as pessoas, encaminhando-as a emprego, tratamente de saúde, regularização de documentos e outros, Bauru possui há muitos anos uma Central de Triagem mantida pelo Centro Espírita Amor e Caridade, financiada em parte com recursos dos Fundos Estadual e Municipal da Assistência Social, que faz este trabalho. Por outro lado, também existe uma série de entidades sociais e serviços da própria Secretaria Municipal do Bem Estar Social que desenvolvem inúmeras ações nas periferias e favelas da cidade, oferecendo benefícios e serviços de pronto atendimento assistencial (apoio psicossocial, assistência jurídica, programas de geração de renda, cestas básicas e outros), que, embora não atendam a demanda, já contam com uma estrutura a qual bastaria apenas ampliar. Acredito ser necessário que a cidade tenha uma visão correta das demandas e necessidades da assistência social, como das demais áreas, para que possamos planejar a criação ou ampliação dos serviços que realmente necessitamos. Atenciosamente.

Egli Muniz - presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de Bauru e diretora da Faculdade de Serviço Social/ITE