31 de maio de 2026
Economia & Negócios

Auditores fiscais do INSS ameaçam entrar em greve

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Depois das greves dos peritos médicos no início do ano e dos procuradores, parados há 40 dias, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode enfrentar agora a paralisação dos auditores fiscais do órgão. Na região de abrangência da gerência-executiva do INSS em Bauru, a estimativa é de que 90% dos quase 40 auditores possam aderir ao movimento.

De acordo com a diretora regional do Sindicato dos Auditores Fiscais da Previdência Social do Estado de São Paulo (Sindifisp-SP), Sandra Regina Toledo, os profissionais se reunirão em assembléia amanhã às 9h para deliberar os rumos da greve.

Além de amanhã, os auditores cruzam os braços também na sexta-feira. Para a semana que vem, estão marcadas paralisações pontuais de terça-feira a quinta-feira. Nos últimos dias 14 e 15, a categoria já havia feito uma “paralisação de advertência”.

Segundo Sandra, a categoria aguarda definição do movimento nacional, liderado pela federação do setor, a Fenafisp. De acordo com ela, a pauta de reivindicações é extensa e envolve vários detalhes técnicos. Apesar disso, o pedido básico é o mesmo de outras categorias de servidores em greve ou que ameaçam parar: reajuste salarial e melhores condições de trabalho. “Nossa reivindicação principal é a reposição salarial de 43,43%”, diz.

O gerente executivo do INSS em Bauru, Josué Lopes Moreira Filho, explica que uma eventual greve dos auditores deve prejudicar principalmente a arrecadação do órgão. “As empresas acabam não conseguindo dar baixa nas obras, não conseguem obter a liberação de Certidões Negativas de Débito (CNDs) que precisam de atuação da fiscalização, todos os trabalhos de fiscalização ficam prejudicados”, diz.

Moreira Filho declara que a paralisação não deve interferir na concessão de benefícios a aposentados e pensionistas, a não ser em casos muito específicos. Mesmo assim, somada à greve dos procuradores, os auditores parados devem sobrecarregar o trabalho da chefia e dos demais funcionários que continuam trabalhando. “Alguém vai ter de carregar tudo isso nas costas”, diz.

Ainda segundo o gerente executivo, um problema que já estava sendo resolvido - o da falta de funcionários no órgão - pode voltar a se agravar. Isso porque cabe aos auditores antigos “ensinar” o serviço aos novatos. “Eu não consigo caminhar apenas com os funcionários novos na casa. Eu preciso dos funcionários antigos”, afirma.

Moreira Filho também diz não ter informações sobre propostas do governo federal para aplacar as reivindicações dos auditores e trazer os procuradores de volta ao trabalho. “Todo o funcionalismo público está em estado de alerta”, declara. E completa: “É um momento crítico”.