09 de julho de 2026
Bairros

Buracos no asfalto se multiplicam

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A quantidade de buracos espalhados pelas ruas e avenidas de Bauru continua crescendo a cada dia, o que tem deixado moradores e motoristas revoltados. Além da demora para que as vias sejam consertadas, eles reclamam da qualidade do serviço efetuado pelos funcionários da prefeitura.

Na quadra 1 da rua Coronel Lima Figueiredo, na Vila Santa Luzia, por exemplo, o motorista é obrigado a invadir a pista contrária da via se quiser acessar a rua Heitor Maia, já que no local há um buraco de grandes proporções e que chegou a ser tapado em outras oportunidades, mas acabou reabrindo.

O morador Sérgio Luiz de Oliveira, que utiliza a rua diariamente, reclama dos transtornos causados pelos buracos. “É uma via estreita e perigosa. Essa situação nos incomoda”, relata.

Já na quadra 8 da rua Fortunato Resta, na Vila Giunta, um dos buracos acabou engolindo até mesmo a placa que alertava sobre a sua existência. Além disso, houve o rompimento da rede de esgoto no local. Na mesma quadra, outras crateras exigem cuidados redobrados dos motoristas.

A situação dos buracos poderia ser ainda mais grave caso a temporada de chuvas tivesse sido tão intensa quanto em anos anteriores. Mesmo assim, o cenário é desolador.

Ritmo de trabalho

Segundo o secretário municipal de Obras e das Administrações Regionais, Arlindo Figueiredo, os funcionários da prefeitura irão intensificar a operação tapa-buracos nas próximas semanas. “Estamos procurando acelerar o processo”, declara.

Questionado sobre a qualidade do serviço, Figueiredo revela que há cerca de 15 dias os funcionários da prefeitura passaram a adotar um novo método para tapar os buracos. “Estamos colocando o solo-cimento, que é a base, e deixando um espaço de três ou quatro centímetros na parte superior para a colocação da capa asfáltica”, explica.

Resta saber se os consertos feitos com essa nova técnica resistirão ao tráfego de veículos ou se, daqui a alguns meses, o problema voltará a incomodar moradores e motoristas.

Embora Arlindo Figueiredo sustente que a operação tapa-buracos venha sendo realizada normalmente, a Secretaria de Obras chegou a suspender o trabalho durante duas semanas no mês passado. O motivo foi a falta de emulsão asfáltica para a execução do serviço, causada por problemas burocráticos na aquisição do produto.

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Eficácia

Para o professor aposentado Vladimir Coelho, doutor em pavimento de concreto asfáltico pela Universidade de São Paulo (USP), a operação tapa-buracos é eficaz quando realizada corretamente. “O problema é que, em Bauru, é tudo feito às pressas. Eu até vejo uma boa vontade da prefeitura em tentar resolver o problema, mas eles fazem tudo muito rapidamente”, critica.

Ele explica que o reparo exige alguns procedimentos básicos, como a limpeza adequada do buraco e a compactação do material utilizado para o serviço. “Além disso, é preciso fazer um recorte no buraco que é redondo, deixando-o retangular. Do contrário, o problema volta depois de dois ou três meses”, analisa.

Outro ponto que chegou a ser levantado pelo ex-secretário municipal de Obras, Jorge Roberto Monteiro, é a idade do asfalto em muitas vias do município. Segundo ele, em alguns bairros a pavimentação tem mais de 40 anos, o que reduz a eficácia da operação tapa-buracos.