25 de maio de 2026
Turismo

Os palácios de Sintra

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 8 min

Sintra fica num maciço de pedra granítica conhecido como Monte da Lua (na antigüidade, era ali que se realizavam cultos astrais).

Tem um belo centro histórico, valorizado por jardins e “quintas” (sítios) carregadas de charme. É uma espécie de Petrópolis brasileira: refúgio serrano dos lisboetas endinheirados de hoje e do passado, como prova a Quinta da Regaleira, mansão que pode ser visitada pelos turistas, e que se tornou popular aqui no Brasil por ter servido de locação para a minissérie “Os Maias”. Fica na ruela Barbosa Bocage.

Em Sintra, localizam-se também os palácios mais interessantes de Portugal. Reserve pelo menos três horas para visitar o Palácio Real, residência de verão da família real dos séculos 15 e 20, e o Castelo dos Mouros, na serra, com uma vista privilegiada. O Castelo dos Mouros, uma construção árabe do século 8, fica na Cruz Alta.

Perto do castelo, fica o Palácio da Pena, construído no século 19 com uma arquitetura bastante original. Subindo ladeiras e escadinhas, você terá acesso às principais dependências dos reis portugueses, claro que com uma cordinha avisando até onde seus pés podem chegar e com proibição de fotos.

Um mergulho no passado para quem quer conhecer como era a vida em palácio com toda a pompa e circunstância. Perto dali fica Queluz e, claro, o Palácio do mesmo nome que exerce fascínio nos brasileiros. Foi nele que o nosso imperador Dom Pedro I (quarto em Portugal), da tradicional família Orleans e Bragança, nasceu e morreu (ao lado de Dona Amélia, que conquistou seu coração deixando a marquesa de Santos destroçada - por pouco tempo, diga-se de passagem).

Uma construção com formas rebuscadas, decoração harmoniosa e intimista, contendo no interior nobres e opulentos salões que serviam como residência real de veraneio. Dizem que é uma réplica menor do Palácio de Versailles.

Construído numa região antiga - o nome significa Vale das Amendoeiras - o palácio teve sua construção iniciada pelo tio-avô de Dom João VI, Pedro III, ainda no século 18, sendo concluído por Dona Maria I (“a louca”), para ser sua residência oficial de verão.

Embora seja bem menor do que o francês, o Palácio de Queluz tem aposentos que chamam a atenção do visitante, como a Sala do Trono e o quarto onde Dom Pedro I deu seu primeiro berro e o último suspiro. Aprecie as pinturas que contam a história de Dom Quixote, personagem de Cervantes e o quarto de Dona Carlota Joaquina, a espanhola que ainda criança se casou com Dom João VI. Seus brinquedos infantis estão lá expostos.

“Tour” interno concluído, parta para os jardins, o melhor do palácio. A topiaria nos ciprestes chama a atenção, assim como o projeto paisagístico assinado pelo francês Le Notre com lagos e fontes.

Existem dois caminhos levando a Sintra: a auto-estrada e a estradinha sinuosa que corta as quintas. Como o romantismo é o que mais vale na região, esqueça o enjôo e vá apreciando as seculares casas de veraneio dos ricos e poderosos. Torça para encontrar brasões de silvas, lemos, pereiras, machados, etc. pelo caminho. Quem sabe, um parente eqüidistante seu.

Pela estrada que liga Lisboa a Sintra há outros mistérios a serem desvendados pelos turistas, em meio a uma vegetação que se encarrega de sombrear o caminho.

Palácio Nacional da Pena

Um dos lugares mais visitados de Sintra é o colorido e imponente Palácio Nacional da Pena.

Trata-se de uma construção romântica, do século 19, que foi revitalizada mas que conserva da edificação primitiva um magnífico altar do século 16, da autoria de Nicolau de Chanterenne.

No interior, as diversas coleções de artes decorativas combinam-se com as pinturas, azulejos e trabalhos de estuque das paredes e tetos, mostrando ao visitante a vivência do cotidiano de uma residência real do período romântico em Portugal.

Na vila, onde restaurantes requintados fazem divisa com lojas de artesanato e mesinhas no passeio público, fica o palácio Real (ou da Vila). Datado do século 15, é um dos grandes exemplos do emprego de azulejos na decoração.

As duas chaminés do palácio são o símbolo de Sintra. A sala dos brasões, na torre, tem no teto a inscrição de 72 nomes de famílias nobres da época e seus brasões. Estão lá, Cabral, Miranda, Cunha, Almeida, Silva e Vieira.

Há o quarto onde Dom Afonso VI ficou preso durante nove anos até sua morte, em 1683 e a capela, com um balcão ligado diretamente à parte interna, como em outros palácios e palacetes.

As armas de Portugal e Sabóia no fim do século 19, testemunham o último período de habitação da família real no palácio.

Foi no palácio que Dom Manuel I recebeu a notícia de Gaspar de Lemos que Cabral havia descoberto o Brasil e do caminho de especiarias rumo às Índias.

Saindo do palácio, caminhe por ruas estreitas, compre “souveniers” portugueses e coma as famosas queijadas de Sintra, uma delícia de empada com doce de queijo, feita, como, quase tudo em Portugal, à base de ovos.

Quinta da Regaleira

Trata-se de um dos mais surpreendentes monumentos da Serra de Sintra. Situado no termo do centro histórico da vila. Foi construída entre 1904 e 1910, no derradeiro período da monarquia e comprada posteriormente por Antônio Augusto Carvalho Monteiro, que nasceu no Brasil, filho de pais portugueses.

Dono de uma grande fortuna, Monteiro procurou o genial arquiteto italiano Luigi Manini, bem como mestres escultores e entalhadores para se encarregarem do singular projeto de arquitetura do palácio.

A arquitetura e a arte do palácio, capela e demais construções seguiram a concepção de um jardim do éden, com predominância dos estilos neo-manuelino e renascentista.

O jardim revela uma sucessão de lugares mágicos e misteriosos, com o paraíso sendo materializado em coexistência com o inferno, um dantesco mundo subterrâneo. Ambiente cenograficamente perfeito para as cenas sombrias de “Os Maias”.

A luz de Cascais

Cascais e Estoril são balneários onde temperaturas amenas no inverno e um verão quente aliados à luz solar se encarregam de propiciar o ambiente ideal para banhistas e amantes do surf.

A praia do Guincho é a mais apreciada da costa. Fica em Cascais, uma pequena e charmosa cidade balneária que antigamente sediou um porto pesqueiro.

Ficou famosa depois que Dom Carlos a elegeu como seu local preferido para passar o verão, levando a corte a se deliciar na água e na areia com ares aristocráticos.

A partir daí, a Costa do Estoril, como a região entre Cascais e Estoril é chamada, cresceu como opção turística. Ganhou até mesmo um cassino, o Cassino do Estoril, que oferece aos visitantes todo tipo de jogos, como bingo, roleta, bacará e banca francesa.

Mesmo quem não se amarra em jogos sente atração pelo lugar, uma vez que seus jardins são convidativos e as mansões em torno do palacete imponentes. Ayrton Senna chegou a morar lá por causa da proximidade com o autódromo que todos os anos sedia o circuito da Fórmula I.

Cascais e Estoril conservam os ares aristocráticos de um passado de reis e rainhas e hoje formam uma das mais famosas regiões de veraneio de Portugal.

Localizam-se ao final de uma fileira de pequenas praias que se estendem a partir de Lisboa seguindo o estuário do rio Tejo e abrigam hotéis estrelados que atraem turistas de todas as partes do mundo.

Ramalho Ortigão, autor do livro “Praias de Portugal, Guia do Banhista e do Viajante”, um dos grandes roteiros de Portugal, refere-se à linha de Cascais como um “mostruário” de gente famosa, um misto de paisagem romântica e de “segunda corte”. Era para lá que as famílias endinheiradas e nobres se dirigiam nos finais de semana e nas férias, instalando-se em suas casas em frente ao mar, onde a luz difusa, quente e acolhedora revigorava suas energias.

Com a inauguração da linha férrea (chamada em Portugal de comboio), que percorria em uma hora os quilômetros que separavam o Cais do Sodré de Cascais, e com a abertura do cassino, na metade do século 20, Estoril e Cascais se transformaram definitivamente no que são hoje: lugares aprazíveis para férias junto ao Atlântico.

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Falésias e pesca

A costa dos tritões, em Sintra, ao lado de Cascais e Estoril, é outra opção para os turistas. É composta por belíssimas praias de areia dourada e penhascos recortados, lugares perfeitos tanto por quem prefere o mar quanto o campo.

Além dos banhos e do sol radiante no verão, as praias da região, distantes poucos minutos da serra, oferecem excelentes condições para a prática dos esportes náuticos e falésias que propiciam aos amantes do parapente excelentes rampas de salto.

Rico em fauna marinha, o mar naquele trecho é cheio de robalos, sargos, douradas, polvos e outras espécies, fazendo a alegria de pescadores em busca de bons momentos de lazer.

Desde o Cabo da Roca, onde o visitante pode obter um certificado de sua presença no ponto mais ocidental do velho Continente, até a Praia de São Julião, os atrativos são muitos e variados.

Visitas são indispensáveis à Pedra de Alvidar, rocha escorregadia que desliza pela falésia, quase na perpendicular, com cerca de 80 metros, o Fojo, furna vertical distante da costa, mas que comunica com o mar; a Praia Grande, deliciosa pelo seu vasto areial e curiosa por manter 66 pegadas de dinossauro esculpidas em uma rocha; a praia das Maçãs, estância balneária com seu típico elétrico (bonde); e, sobretudo, as Azenhas do Mar, povoação de características únicas onde o homem e a natureza se completam em uma simbiose perfeita.

Outro lugar muito visitado, distante 1,5 quilômetro de Cascais, é o famoso despenhadeiro da Boca do Inferno, cheio de covas escavadas pelas ondas.

Mas toda a atenção deve ser tomada pelos visitantes quando há tormenta, pois aumentam os riscos de acidentes.