O tão esperado reinício dos trabalhos de recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, sofrerá novo atraso. A Secretaria Municipal de Obras havia anunciado que a reforma, suspensa desde outubro do ano passado, voltaria a ser executada nessa semana, mas agora alega que parte dos materiais necessários para a realização do serviço ainda não foi entregue pelas empresas que irão fornecê-los.
A ponte foi inaugurada em setembro de 2000, às vésperas da eleição que reelegeu o prefeito Nilson Costa (PTB), mas precisou ser interditada em janeiro do ano passado por conta de rachaduras em sua estrutura. Desde então, a prefeitura vem divulgando prazos para que a passagem sobre o rio Bauru seja reaberta, mas nenhum deles foi cumprido.
Com a interdição, os motoristas que precisam se deslocar da região do Núcleo Mary Dota para o Distrito Industrial 1, ou vice-versa, são obrigados a adotar outro caminho, bem mais longo. Já os pedestres, ciclistas e motociclistas podem utilizar uma passagem provisória de madeira construída a cerca de 50 metros da ponte Ayrton Senna. Eles reclamam, porém, que o local não é iluminado e oferece riscos à segurança das pessoas.
Explicações
O engenheiro Marco Antônio Messi, da Secretaria de Obras, afirma que ainda não é possível prever quando os transtornos causados pelo fechamento da ponte chegarão ao fim, mas estima que os trabalhos de recuperação serão reiniciados em até 30 dias. “Nós já recebemos parte dos materiais necessários e o restante chegará nos próximos dias. Pode ser, inclusive, que a obra seja retomada na próxima semana”, prevê.
Ele explica que quatro empresas serão responsáveis pelo fornecimento do material. “A madeira já foi entregue. Estamos aguardando o aço, as brocas e o concreto”, revela.
A primeira fase da reforma, já executada, foi feita por uma empresa terceirizada, a Sondosolo Engenharia, e consistiu na construção de parte das estacas de cimento armado que servirão de base para a ponte. A obra custou à prefeitura, até o momento, cerca de R$ 155 mil, sendo R$ 28 mil referentes ao projeto de recuperação. Outros R$ 125 mil devem ser investidos na próxima etapa. “O trabalho será feito pelos engenheiros e pela mão-de-obra da própria secretaria”, comenta Messi.
Além da conclusão das estacas, resta fazer o bloco de fundação e construir o aterro. Messi afirma que dez furos de 90 centímetros de comprimento por uma polegada de diâmetro serão feitos em cada um dos oito pilares da ponte.
Segundo ele, é a execução desses furos que irá ditar o ritmo da obra e em quanto tempo ela será concluída. “Precisamos furar um dos pilares para termos uma idéia de prazo, mas isso também não significa que a velocidade nos demais será a mesma, porque é preciso furar um por um”, argumenta.
Até lá, motoristas, motociclistas e pedestres que dependem da ponte Ayrton Senna para se deslocar com mais facilidade entre o Núcleo Mary Dota e o Distrito Industrial 1 terão que continuar convivendo com a interdição e, mais do que isso, terão que controlar o sentimento de frustração e revolta que toma conta de todos eles, como demonstram os depoimentos colhidos pela reportagem.
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População indignada
O que você acha do novo adiamento da reforma da ponte Ayrton Senna?
Maria Lúcia Gonçalves Marques, dona de casa - "Já passou do tempo dessa ponte ser reformada. Para usar a passagem de madeira à noite, temos que correr o risco de assalto.”
Renan de Oliveira Jesus, gráfico - “É ruim. Nós que moramos no Núcleo Mary Dota e trabalhamos no Distrito Industrial 1 estamos sendo prejudicados. Precisamos da ponte para ir trabalhar.”
Angélica Marques Azevedo, dona de casa - “Já virou motivo de chacota. Não tem nem mais o que falar ou discutir. É uma palhaçada.”
Luís Sabino, auxiliar de produção - “É terrível. Será que eles estão esperando a época da eleição para terminar o serviço?”
Natanael Camargo dos Santos, cortador de roupas - “É um prejuízo muito grande para nós, que dependemos da ponte.”
Roberval Dias Santiago, pastor - “Para mim, que vou buscar minha mulher no trabalho, é bem complicado.”
Neusa Alarcão Fontes, auxiliar de laboratório - “É péssimo. Do jeito que está, com essa passagem de madeira, não tem mais condições.”
Claudemir Ferreira, motoboy - “É vergonhoso. Acho que eles estão esperando começar a campanha política para arrumar a ponte.”
Carlos Roberto da Silva, motorista - “É revoltante. Eles só sabem cobrar impostos, como esse de iluminação pública que eles inventaram agora.”
Ana Maria dos Santos, estudante - “Acho ruim. Para dar a volta pela ponte de madeira, acabo chegando atrasada na escola.”