09 de julho de 2026
Bairros

Desafio da campanha da Sebes é arrecadar 50 mil agasalhos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O desafio da campanha do agasalho deste ano, que será lançada hoje em uma reunião na Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), é quase dobrar a quantidade de peças coletada no ano passado. Em 2003, a campanha coordenada pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) começou apenas no final de maio e arrecadou 28.700 peças, quantidade insuficiente para atender os cerca de 14 mil moradores em favelas, sem contar os bolsões de pobreza.

A meta neste ano é conseguir 50 mil agasalhos, diz Marleide Lucinda da Conceição, funcionária da Sebes que coordena a campanha. Em 2002, foram coletadas 60 mil peças de roupas e calçados. “No ano passado, priorizamos os mais carentes entre os carentes e atendemos 3.050 domicílios. Agora estamos antecipando a campanha porque, no ano passado, os agasalhos foram entregues quando já estava frio”, lembra.

Como neste outono ainda não chegou nenhuma frente fria, os moradores das favelas não estão sentindo necessidade de agasalhos da campanha. Porém, já prevêem que vão precisar de doações nos próximos meses. “Criança cresce rápido e as blusas de um ano não servem no outro”, explica Lúcia Helena de Oliveira, moradora do Ferradura Mirim que tem dois filhos pequenos.

A doméstica Márcia dos Santos, que mora no Jardim Ivone, explica que as roupas do inverno passado estão muito velhas. “Como as roupas que a gente ganha já são bem usadas, não duram muito. Todo ano precisa de mais”, diz.

A coordenadora da campanha lembra que além das favelas, há bolsões de miséria cujos moradores também precisam de agasalhos. “Só no NAF (Núcleo de Apoio Sócio-Familiar) da Nova Bauru, que também atende as Pousadas 1 e 2 e a Vila São Paulo, temos 400 cadastrados”, relata. Porém, a Sebes não tem estimativa de quantas pessoas vivem nos bolsões de pobreza.

Pelo cronograma estabelecido pela Sebes, as peças coletadas serão distribuídas nas favelas e bolsões de pobreza no início de junho, entre os dias 1 e 4. A coleta será feita em postos fixos de arrecadação, nos mesmos moldes do ano passado, segundo Conceição. “Enviamos 120 ofícios a empresas, entidades e escolas que queremos que sejam postos de coleta”, conta.

Na próxima semana, a Sebes vai cadastrar os postos de coleta, que vão receber os agasalhos entre os dias 3 e 21 de maio. No final do mês, as peças arrecadadas serão organizadas e reunidas em sacolinhas para serem distribuídas.

Voluntários

Além da campanha organizada pela Sebes, já há voluntários coletando agasalhos. Maria Madalena Braz de Oliveira, a Madalena Branca, que todos os anos faz a campanha para moradores do Ferradura Mirim, já arrecadou cerca de 100 peças. “Espero conseguir 3 mil peças. Temos postos de coleta na escola Luiz Zuiani e na Base Sudeste da Polícia Militar”, relata.

Ela também repete a campanha do ano passado, que contou com a ajuda de alunos e professores da escola Luiz Zuiani até na distribuição dos agasalhos. “Entregamos senhas às famílias mais carentes e elas retiraram os agasalhos em casa”, lembra.

Os alunos da escola Luiz Zuiani estão colaborando outra vez, segundo Maria Helena Vieira, vice-diretora da escola. “Os alunos dos 2.º e 3.º ano do ensino médio estão passando de classe em classe para pedir os agasalhos e já marcamos uma data para a coleta”, conta. Ela frisa que a iniciativa ajuda na formação dos alunos. “É uma ação de cidadania”, completa.

Apesar de aprovar a iniciativa de voluntários, a coordenadora da campanha da Sebes ressalta que o ideal seria centralizar a distribuição dos agasalhos. “Essas pessoas que fazem campanhas paralelas devem trabalhar em parceria com a Sebes para informar onde distribuir os agasalhos. Assim, podemos atender os mais precisados”, finaliza Conceição.