31 de maio de 2026
Polícia

Carcereiro acusado de facilitar fuga é demitido da Polícia Civil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O carcereiro da Cadeia Pública de Bauru Fernando César Rodrigues foi demitido da Polícia Civil. A demissão foi publicada no Diário Oficial de ontem, como resultado de um processo administrativo disciplinar instaurado pela Delegacia Seccional de Bauru em 2001. Ele era acusado de ter facilitado a fuga de 89 presos no dia 11 de novembro daquele ano. Rodrigues responde a processo-crime instaurado pela 1.ª Vara Criminal.

O funcionário público, que trabalhava na Cadeia Pública de Bauru em 2001, foi enquadrado nos artigos 62 e 63 da Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo. Significa, dentre outras coisas, que ele valeu-se do cargo com fim de obter proveito próprio, faltou com a verdade no exercício da função, manteve transação com preso e negligenciou no exercício de ordem legítima.

Ontem, após a publicação, o carcereiro entregou a arma e o distintivo da Polícia Civil e, desde então, deixou de fazer parte do quadro de funcionários.

O inquérito policial instaurado pela Delegacia Seccional de Bauru naquele ano para apurar a maior fuga de presos da cadeia pública concluiu que cinco pessoas participaram da ação. Além de dois presos que fugiram na ocasião e o ex- presidiário Douglas Rogério Reducino, Fernando César Rodrigues figurou como participante.

O carcereiro foi acusado de ter facilitado a fuga pelo ex-presidiário Douglas Reducino que contou, na época, que foi Rodrigues quem avisou o grupo que fez o resgate, por telefone, sobre o momento certo para agir. Como pagamento teria recebido R$ 15 mil.

Na versão de Rodrigues, feita também na época, ele disse que foi abordado por dois homens armados que o ameaçaram e o trancaram, junto com outro funcionário de plantão, dentro de uma cela.

Na esfera judicial, o carcereiro foi denunciado por facilitação de fuga, segundo informou o promotor de Justiça Paulo Sérgio Foganholi. “Estamos aguardando a sentença. Esperamos que seja proferida ainda este ano. Pedimos uma pena de cinco anos.”

Segundo o promotor, os mentores da fuga em massa fazem parte do mesmo processo e a pena pedida é em torno de 10 anos para cada um deles.

O laudo do telefone celular do carcereiro, emitido pela Telefonica a pedido da Polícia Civil para prova do inquérito, revelou, na época, que foram feitas ligações para os acusados de terem planejado e executado o resgate de presos, inclusive presidiários e ex-presidiário.

Além dessas ligações, o laudo revelou que dele partiram ligações para uma pessoa, em São Paulo, que faria parte de uma quadrilha. Em função do que foi apurado, o MP pediu a prisão preventiva do carcereiro, que chegou a ser preso, mas foi libertado e respondeu o processo em liberdade.

O advogado do carcereiro foi procurado para falar sobre o assunto, mas não foi localizado.

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Como foi

Numa ação audaciosa, quatro homens fortemente armados resgataram 89 dos 161 presos da Cadeia Pública de Bauru, na madrugada do dia 11 de novembro de 2001. O alvo do resgate seriam dois integrantes de uma quadrilha, presos no dia 31 de julho, quando tentavam assaltar uma distribuidora de remédios de Bauru.

Dois dos homens pularam o muro lateral, na rua Pascoal Luciano, ganhando o pátio da entrada, renderam o agente policial Jaime Rosa da Silva e o carcereiro Fernando César Rodrigues com pistolas e os obrigaram a abrir o portão B para entrada de mais dois homens, que estariam esperando do lado de fora.

Dominados, os funcionários públicos foram obrigados a entrar na carceragem e abrir todas as celas, dando fuga para 79 presos e dez menores, do total de 161 detentos.

Os homens que fizeram o resgate de presos teriam fugido em um Ômega e num Vectra.

Duas horas após a fuga, cerca de 11 fugitivos já tinham sido recapturados sendo que dois deles se apresentaram espontaneamente.