26 de maio de 2026
Economia & Negócios

Com otimismo moderado, comércio aposta nas mães

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O Dias das Mães sempre é um período ótimo em vendas, mas pode não recuperar totalmente o fraco desempenho do comércio registrado nos primeiros quatro meses deste ano. Esta frase resume como a maioria dos comerciantes de Bauru está encarando a segunda melhor data comemorativa para eles, que só perde para o Natal.

De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, as expectativas são de que os resultados sejam semelhantes ao Dia das Mães do ano passado. “Sempre existem os setores que vendem mais do que outros, mas na média geral, devemos fechar com resultados semelhantes aos obtidos em 2003. O primeiro trimestre foi fraco, por isso, não dá para apostar tudo no Dia das Mães”, avalia.

Para ele, a reversão do atual quadro de vendas no comércio em geral - não somente em Bauru - só vai ocorrer quando houver geração de emprego e a renda do trabalhador aumentar. “Como nenhuma das duas situações ocorreu, é ilusão achar que uma data vai recuperar o saldo ruim de três, quatro meses. Mas é claro que as expectativas especificamente para o Dia das Mães são positivas”, diz Carvalho.

Para o presidente da Acib, muito do que os comerciantes estão vivenciando agora é reflexo de vários anos difíceis, de economia com um pífio crescimento real e taxas de juros muito elevadas. “De qualquer forma, sempre no Dia das Mães o índice de vendas é bem melhor do que no restante do ano, com exceção do Natal, que no cômputo geral é a melhor data.”

Nas lojas, os preparativos para a segunda melhor data para o comércio ainda não estão à vista, mas os comerciantes já estão se planejando para o período e negociando com fornecedores para poder investir em promoções que atraiam os consumidores.

Luiz Colpani, proprietário de uma loja de confecções localizada no Calçadão da Batista de Carvalho, afirma estar otimista com a data. Segundo ele, as promoções na loja entrarão em vigor a partir do dia 2 de maio.

“A expectativa é sempre boa para essas datas, mas se a temperatura cair um pouco até lá, será melhor ainda. Precisamos vender as roupas da coleção inverno. Vou investir em promoções especiais e acho que é possível superar os resultados do ano passado”, avalia Colpani.

Sorteio

De acordo com o presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto De Bernardis, uma campanha promocional está sendo elaborada para o Dia das Mães, mas os detalhes ainda não serão revelados.

“O que já posso adiantar é que iremos sortear dezenas de cestas de café da manhã para que as mães possam ser presenteadas de uma forma bem especial. A campanha não será vinculada às compras, ou seja, bastará o consumidor preencher um cupom que ficará disponível nas lojas. O sorteio será no sábado, dia 8 de maio”, adianta Bernardis.

Mesmo com os tempos difíceis, o presidente da AEC espera um bom movimento no comércio de Bauru para as vendas do Dia as Mães. Tradicionalmente, em datas comemorativas há um grande fluxo de moradores de cidades da região, o que também acaba incrementando os resultados.

“O sábado que antecede o Dia das Mães costuma ser um dia excelente em vendas para nós, melhor até do que no Natal. É que no Natal, o que faz a diferença é a soma do período de compras. Confesso que as expectativas não são das mais otimistas, mas se alcançarmos resultados semelhantes a maio de 2003 já estará muito bom”, afirma Bernardis.

De acordo com ele, o volume de cheques sem fundos recebidos neste ano tem assustado os comerciantes. Segundo matéria publicada recentemente pelo JC, o índice de inadimplência acumulado entre os três primeiros meses deste ano no comércio de Bauru, registrado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), aumentou 7,24% sobre o mesmo período do ano passado.

“Por isso, estamos tomando algumas precauções a mais, e acho que não haverá problemas com as vendas do Dia das Mães”, observa Bernardis.

A dona de casa Bianca Sanas diz que não poderá gastar muito com o presente de sua mãe, mas não deixará a data passar em branco. “Vou ter que apelar para a tradicional lembrancinha, porque o dinheiro está curto. Mas mesmo que seja um presentinho, sempre gosto de fazer um agrado.”