31 de maio de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Nota reconhece

A megacobrança de R$ 14,7 milhões que a CPFL impôs ao município e o prefeito Nilson Costa (PTB) aceitou com rapidez espantosa em se tratando de dinheiro público, após tê-la rejeitado há cinco meses, continua na ordem do dia de pessoas de todas as camadas sociais. A própria nota que a CPFL pagou para publicar na edição de ontem do JC confirma tudo o que já foi informado sobre o rejeitado acordo.

• Falta do contrato

Em uma roda do Calçadão, ontem, a análise sobre a nota da CPFL era a de que a empresa não apresentou nada de novo que pudesse lançar luz sobre esta dívida que a cidade está tendo de engolir. Ao contrário, um conhecido jurista chegou à conclusão de que ficou claro e cristalino que a empresa reconheceu um dos grandes problemas do acerto milionário: não havia mesmo um contrato para embasar legalmente o débito cobrado.

• Negócio melhor

Por sinal, a ausência de um contrato, por si só, sem citar os demais questionamentos, já seria suficiente, na avaliação de um leitor, para que o prefeito, se tivesse vontade política e cuidado com o dinheiro do povo, negociasse a pretensa dívida em bases muito mais justas e criteriosas para a cidade. “Até dois garotos trocando figurinhas negociam melhor”, ilustrou o atento leitor.

• Outra alternativa

O porta-voz de outro grupo de bauruenses que que discutem o assunto à exaustão ligou para perguntar por que não se verifica a possibilidade de o município comprar energia elétrica de outra distribuidora. Ele sugere até a hipótese de outra empresa assumir a dívida que a cidade teria com a CPFL, assim que fosse comprovada, em troca de obter o direito de fornecer energia, quem sabe a preço e condições melhores. “A livre iniciativa permite a busca do melhor custo-benefício”, afirmou. Taí a dica do cidadão para ser aprofundada e pesquisada.

• Posicionamento

É incrível como a população se pôs a discutir e rejeitar tal atitude do atual governo local. Aliás, as pessoas que zelam por Bauru e querem mudar o atual estado de coisas têm se posicionado, o que não ocorre com alguns candidatos a prefeito, que procuram passar ao largo do tema, como se não fosse com eles, que pretendem governar a cidade. Essa foi outra observação ouvida por editores e repórteres do jornal nos últimos dias.

• Retórica eleitoral

Será que alguém ainda acha que vai ser eleito sem comprometimento com as causas públicas e à espera de um cheque em branco assinado pelo eleitor? Puro engano. Que se pronunciem e se posicionem agora, que é o momento certo. E não depois, com retórica de campanha, em horário eleitoral e efeitos especiais.

• Só com cobrança

E a cada dia fica mais claro que o atual governo só funciona quando é cobrado. Foi necessária uma matéria mais contundente do JC sobre um novo atraso nas obras de recuperação da ponte do Mary Dota para que o prefeito mandasse reiniciar amanhã. Ora, se era tão normal assim retomar, por que atrasar o cronograma? O mesmo vale para o caso CPFL. Se havia tanta certeza de que a dívida era de R$ 14,7 milhões, por que só agora está se tentando provar que a prefeitura devia isso mesmo?