08 de julho de 2026
Geral

Museu do 'Lauro' já pode ser visitado

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

O prédio que durante décadas foi o grande centro de lazer dos moradores do Asilo-Colônia Aimorés, hoje Instituto Lauro de Souza Lima, está quase inteiramente reformado e já pode ser visto pela população durante a semana até o final de abril.

A visitação aberta ao público, das 8h às 14h, neste mês faz parte das comemorações dos 71 anos do Lauro de Souza Lima, fundado em 13 de abril de 1933. A partir de maio as visitas terão novos horários e poderão ser agendadas.

Erguida no final da década de 30, no século passado, a construção servia de teatro, cinema, salão de baile e cassino, além de abrigar uma biblioteca, uma emissora de rádio e um consultório odontológico.

O prédio, que começou a ser reformado há dois anos, sedia agora o museu “Silas Braga Reis”, nome escolhido para homenagear um dos ex-diretores do instituto. Por enquanto, o hall de entrada, as salas laterais, os banheiros e parte do salão principal estão prontos, mas toda a estrutura do edifício já foi reforçada, os assoalhos refeitos, telhado e forros reformados. “O palco deve ficar pronto em breve, depois só vai faltar a pintura”, explica o médico Diltor Vladimir Opromolla, diretor da divisão de ensino e pesquisa do Lauro de Souza Lima.

O trabalho é demorado e requer um cuidado especial, já que a pintura interna do prédio reproduzia um efeito tridimensional, como se houvesse um relevo nas paredes. A pintura já realizada nos cômodos que estão abertos para visitação foi feita pela artista plástica Maria Cabreira, que também restaurou as imagens sacras da igreja.

O museu faz parte do conjunto de edificações do instituto que há alguns anos foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de Bauru (Codepac), do qual fazem parte também a igreja e o coreto. A intenção da direção do Lauro de Souza Lima é restaurar as três construções, mas para isso é preciso investimento.

Até agora foram gastos quase R$ 200 mil no museu, segundo Opromolla. Os recursos foram conseguidos junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundação Paulista de Combate à Hanseníase e o governo do Estado. “A professora de arquitetura da Unesp, Rosio Salcedo, já desenvolveu um projeto para a igreja, agora vamos tentar obter recursos”, afirma o médico.

Para Opromolla, se houvesse um maior envolvimento da iniciativa privada as obras poderiam estar mais adiantadas. “As empresas poderiam recorrer à Lei Rouanet, que permite que os valores gastos com a recuperação de prédios históricos e com a cultura sejam abatidos do Imposto de Renda”, explica o médico, para quem a lei é ainda é pouco conhecida.

O que pode ser visto

Parece pouco, mas não é. O prédio que agora abriga o museu exibe uma coleção de fotos antigas do asilo-colônia, parte do grande acervo do instituto, quadros que retratam a igreja e outros prédios locais, além de móveis de época e filmes históricos sobre a colônia que foram restaurados. “Temos filmes da década de 30 que mostramos para os visitantes”, comenta Opromolla. As visitas são acompanhadas por Juliana Poloni ou Nivaldo Mercúrio, responsáveis pelo funcionamento do museu que suprem os visitantes de informações.

Aos 77 anos, Mercúrio é um “patrimônio” do instituto, onde vive há seis décadas. Chegou como paciente e mesmo depois de curado não quis mais ir embora. Hoje é uma das mais valiosas fontes de informações sobre como era a colônia. Quando o assunto é a restauração dos antigos prédios, ele não esconde a alegria. “Vai ficar melhor do que era antes”, diz.

Na realidade, a grande razão para se visitar o antigo Asilo-Colônia Aimorés é o local em si e toda a sua história. O museu parcialmente restaurado é um belo aperitivo para a viagem no tempo que é estar na colônia, que começou a ser construída no final dos anos 20 para que as pessoas portadoras de hanseníase morassem lá. Os avanços da medicina e a melhor compreensão das pessoas sobre a doença ao longo dos anos fizeram com que as colônias se tornassem obsoletas.

Os pacientes começaram a ser tratados em ambulatórios na cidade, muitos voltaram para as suas famílias e o Lauro de Souza Lima evoluiu de um hospital de atuação específica para um grande centro de pesquisa de doenças de pele. Alguns antigos moradores resolveram ficar e vivem lá até hoje, mas isso não evitou que grande parte das estruturas se deteriorasse, assim como aconteceu com o prédio do museu, a igreja e o cemitério, que está em ruínas.

Para Opromolla, a restauração e a existência do museu são fundamentais para que a população conheça a história das doenças que levaram à criação dos asilos-colônia no Estado (cinco no total) e como era e funcionava a unidade de Bauru. “A história é importante porque ensina muito e essas reformas são um resgate histórico para a sociedade, não para nós”, afirma o médico.

• Serviço

As visitas ao museu “Silas Braga Reis”, no Instituto Lauro de Souza Lima, podem ser realizadas de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, até o final do mês. Informações: (14) 3103-5866 ou 3103-5861, com Juliana.